CONDENARAM JESUS PARA SOLTAR BARRABÁS

CONDENARAM JESUS PARA SOLTAR BARRABÁS

Por Gelácio Rapieque

O mundo dá voltas e a história repete-se. A Bíblia conta que a multidão do povo pediu que Pilatos soltasse Barrabás e em seu lugar fosse crucificado Jesus. Ora, Barrabás era um criminoso, responsável pela insurgência, assassinato e roubo (cf. Mt 27,26; Actos 3,14). A pena das suas acções era a morte. Jesus era inocente. Nenhum mal foi encontrado n’Ele. O justo morre pelos injustos. O inocente pelos criminosos.

Entre nós parece suceder algo similar. Face a esta pandemia que assola o mundo, o governo de Moçambique entendeu ser prudente aliviar as cadeias, libertando por amnistia pouco mais de 5000 mil presos que se encontravam encarcerados um pouco por todas as cadeias do país. As suas penas eram diversas, correspondentes a vários crimes.

Entretanto, avaliando pelas últimas actuações da PRM, me parece a amnistia ter permitido a liberdade de verdadeiros gatunos e criminosos, para no seu lugar deter inocentes. Posso até estar enganado, mas é o que me parece, pelo menos até agora.

Mas a ser verdade isso que vejo, só pode ser uma verdadeira contradição do contraditório e explico porque: Acompanho a actuação da nossa policia desde que o Presidente da Republica decretou o Estado de emergência, em Abril último. De lá para cá tenho visto e escutado em diversas partes do país reclamações dos nossos concidadãos arbitrariedade das detenções, chambocos por aqui e por ali, intromissões em residências alheias e culminar em violações de direitos humanos.

Com a prorrogação do estado de emergência, pela segunda vez, a situação tornou-se mais crítica ainda. Não faltam vozes que dizem: “se não construo desta vez nunca mais”. Parece confirmar o adágio segundo o qual: “a ocasião faz o ladrão”. Mas é isso mesmo. Há quem vai enriquecer por conta das detenções ocasionadas por Coronavírus.

A nossa polícia, ultimamente, mostra-se totalmente desumana. Há mais medo da polícia que do coronavírus. Tudo porque nas detenções aumenta o número de pessoas nas cadeias, pessoas que na verdade não se sabe se ou não estão infectadas. Durante as detenções não se observa o distanciamento físico nas viaturas em que as pessoas são transportadas.

As crianças não escaparam a acção da polícia e foram, por várias vezes, aglomeradas num único sítio. Isso também viola o decreto presidencial.

Afinal era para isso que preferimos libertar os verdadeiros gatunos, violadores, bandidos e criminosos? Era para isso?

Medidas sim, prevenção sim, combate a doença sim, mas violar os direitos humanos, não. E se fosse seu filho faria isso mesmo com ele? Coerção nunca foi sinal de educação. E mais não disse!

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