A BELEZA NÃO VEM DO CABELO

A BELEZA NÃO VEM DO CABELO

Orera khonkhuma mmaihini

Por Kant de Voronha

Algumas pessoas se esfolam e perdem sono a procura de cabelos compridos que chegam até aos joelhos e de pomadas esbranquiçadoras. É um grande investimento para ter isso. Mas o seu uso é de curta duração.

As manas que usam extensão bem sabem que não é para toda vida. É para alguns dias apenas e deitar no lixo. Porém, compra-se com um valor exorbitante. Pessoas há que se privam de comprar alimentos em detrimento dos produtos de beleza e vaidade. Será isso correcto?

Marah Louw, cantora e actriz sul-africana falando sobre o “fenómeno do branqueamento” e a “auto-aversão negra” salientou que as extensões de cabelo e o branqueamento vão contra as pessoas que “insultam” o que Deus criou.

Ela afirmou ainda: “Você nunca encontrará pessoas brancas usando nossos cabelos da mesma maneira que nós [usamos] os cabelos de outras pessoas; saindo tudo assim. Você nunca encontrará brancos com perucas afro, perucas afro-pretas para sair e outras coisas, a menos que seja uma festa [teatral] ou circo “, acrescentou.

E o que é a apropriação cultural? É a adopção ou uso dos elementos de uma cultura por membros de outra cultura. Os elementos são copiados de uma cultura minoritária por membros de uma cultura dominante, e esses elementos são usados fora do seu contexto cultural original.

Portanto, como a dinâmica da estrutura social e do poder situa os negros muito abaixo dos brancos, qualquer troca cultural acontecendo nessa escada figurativa existe num contexto de superioridade e inferioridade. Em outras palavras, a cultura branca é imposta e não adoptada por pessoas negras.

Assim, “os africanos não podem se apropriar dos padrões de beleza brancos, pois os padrões de beleza brancos nos são impostos”, escreve Kylie Kiunguyu.

Deste modo, as nossas manas, cunhadas, sobrinhas, etc que se vergam dessas coisas pretendem ser brancas de pele negra. Sentem-se inferiores ou pequenas com seu cabelo e pele naturais. Então, procuram disfarçar usando cabelos compridos e maquilhando-se para aparentar brancura de pele.

Não estou a recomendar que as mulheres não se tratem ou tenham problemas de higiene. Não toquei nesse assunto. O que estou a dizer é que a mulher africana e moçambicana deve se orgulhar com a sua originalidade e valorizar isso ao ponto de contagiar outras culturas.

A mulher moçambicana deve perceber que o seu cabelo único e bonito como ele é, é o melhor do mundo. Não custa muito dinheiro para mantê-lo elegante. O Salão de beleza parece servir de centro de fofocas e auto-rejeição negra. E mais não disse!

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