Crónica do Dia – A falta de credibilidade dos lideres

A FALTA DE CREDIBILIDADE DOS LÍDERES

Por Bento Paúa

Os políticos foram sempre um grupo de pessoas que no senso comum o que dizem não oferece credibilidade. Infelizmente, cresce o número de pessoas que associa os políticos profissionais com gente desonesta, sem moral e que por isso, é capaz de vender a sua própria alma, a alma dos outros, sua pátria e até maquinar grandes mentiras para tirar proveito próprio.

Cá entre nós moçambicanos, a cada dia, a política torna-se sinónimo de aldrabice e de desonestidade. Eles controlam os meios de sobrevivência, por isso quem quer sobreviver deve adora-los e mentir como eles, bajulando-os. Por isso toda a gestão desta pandemia pode não ser totalmente profissional e técnica, mas também política.

O que me preocupa em toda esta falta de confiança que os cidadãos desenvolvem nas autoridades é que essa falta de confiança, no contexto que atravessamos, atinge questões de nossa sobrevivência. Desde o anúncio de valores exorbitantes pelo governo para a contenção da Pandemia, cresceu a dúvida das pessoas sobre a integridade das informações dadas pelos nossos líderes. Por algum mecanismo de defesa que induz a não aceitação da realidade, as pessoas duvidam de tudo. De forma preocupante e triste, quem percorre as ruas, e anda nos chapas da cidade de Nampula escuta com tristeza especulações sobre as circunstâncias dessas mortes.

Há quem diz que as vítimas não têm ligação com a Covid-19, mas com outras enfermidades; há quem cita as próprias famílias enlutadas dizendo que seus ente-queridos nunca foram testados para a covid-19; e há quem liga isto tudo à apetência dos políticos que nos dirigem em aumentar casos falsos, para conseguir tocar a sensibilidade dos doadores. Todos dão alguma explicação das mortes, contando que descredibilizem as informações oficiais e assim diminuam seu medo.

Não quero discutir a veracidade ou falsidade de uma ou outra especulação, nem quero dizer que as informações oficiais são as correctas. O que quero é chamar atenção a todos do facto de que independentemente da qualidade dos nossos líderes e da informação que nos dão, nesta situação da pandemia, precisamos realmente de sobreviver.

A pandemia mata de forma rápida, por isso precisamos esquecer por um momento nossos descontentamentos com os políticos e levarmos a sério a prevenção da pandemia porque no final do dia o que importa é nos mantermos vivos. Acatemos as informações e as recomendações! Julgamentos sobre oportunismos podemos faze-los só depois, se estivermos vivos. Aliás, temos o imperativo de nos mantermos vivos.

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