Crónica do Dia – A MULHER NÃO É ESCRAVA DO HOMEM

Por Deolindo Paúa

Estamos terminando o mês da mulher. Pelo tempo que passaram na discriminação, é bom que agora, como compensação, as mulheres tenham o espaço desejável para gozar de seus direitos como qualquer ser humano. A mulher não é escrava do homem, muito menos enfeite doméstico. É necessário dar a ela o lugar de dignidade que lhe merece. A fim de realizar esse pressuposto, sem discriminação, todos os dias deviam ser dias da mulher, se não fosse a falta de compreensão e os exageros que se associam aos poucos dias que existem.

Começaram no passado dia 8 de Março as comemorações do dia da mulher. Oito dias depois celebrou-se o dia do destacamento feminino. Depois, a 7 de Abril celebrou-se o dia da mulher moçambicana. Agora também o mês de Abril já se chama o mês da mulher. Muitas comemorações, merecidas, para a mesma mulher. Nada mau! Precisamos realmente celebrar a mulher, mas uma mulher digna, consciente, que dê valor a si mesma e que seja modelo de convivência social.

A maior parte das mulheres, sobretudo da Cidade de Nampula não usa os dias da sua homenagem para promover a sua dignidade, mas para se depreciar. O dia da mulher é celebrado sob a exigência de igualdade de género, mas uma igualdade desacompanhada dos deveres que são inerentes aos direitos. No dia da mulher exige-se permissão para a liberdade completa, para fazer tudo, longe do olhar controlador dos maridos. No dia das mulheres os maridos são obrigados a abolir o ciúme, os filhos a adiar suas necessidades que poderiam ser resolvidas pela presença da mãe. A relação matrimonial toma outra roupagem. O liberalismo impera nelas.

Infelizmente é nos dias das mulheres que há divórcios por causa de uma capulana não comprada pelo parceiro; é no dia das mulheres que a responsabilidade de mãe e de esposa é deitada ao lixo para se vestir uma responsabilidade de uma mulher leviana e pernoitar-se em barracas e khankalas supostamente txilando; é no dia das mulheres que para se estar à mesma altura que as outras mulheres, para se poder passar condignamente as festas, actos imorais são praticados para ganhar dinheiro com que se custeiam essas festas.

A proliferação de dias das mulheres ao invés de construir a dignidade da mulher, a destrói e torna-se um peso económico para famílias muitas vezes sem posses; torna-se motivo de crise conjugal e vergonha social. Espero que as mulheres tomem consciência da sua importância social e usem este mês da mulher que termina e todos os dias no futuro, para celebrar a sua dignidade e não a sua leviandade. É necessário retornarmos a uma sociedade onde a mulher possui o verdadeiro valor, mas que não se confunde com irresponsabilidades que desestabilizam a sociedade.

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