BAIXA-ME O PREÇO DE BATATA

BAIXA-ME O PREÇO DE BATATA

Por Kant de Voronha

Multidões que não param de circular. Bolsos cheios de dinheiro. Olhos lançados entre as prateleiras dos mercados em busca de presentes, olhando ainda por debaixo das mercadorias estateladas pelo chão da rua, saliva caindo sobre as penas das galinhas e batatas dos mercados. É Dezembro, o mês das festas. Cada um vai dezembrando a sua maneira.

Festa de imwali e alukhu, aquela festa do fim do ano, os ritos de iniciação à vida adulta. Nesta temporada os meninos começam a sair das incubadoras. É festa que mexe com todos. É hora de comemorar. As capulanas de variados tipos vão desfilando a sua classe em todas comemorações.

Mas quando se trata de compras, há descriminações. Costumo ver as pessoas que se fazem aos supermercados, ao Shoprite, as lojas e outros locais onde as mercadorias estão já pré-estabelecidas. Os compradores não discutem os valores, não reclamam nada, apenas recolhem o que precisam, pagam ao caixa e saem felizes como se fossem civilizados.

Mas o mesmo comprador quando se faz ao mercado Central, ao Matadouro, ao Mercado Waresta ou outro tipo de lugar onde se faz comércio informal antes de comprar primeiro olha ao vendedor, de cima para baixo, conta-lhe as costelas e começa a discutir para que ele lhe baixe o preço muito antes de ouvir quanto custa o produto que precisa.

Doutora Safira é chefe de um dos gabinetes aqui na cidade. Não vou identificar seu posto laboral por questões de respeito. Mas o que me leva a partilhar-vos é que Safira quando se fez ao mercado Waresta tinha sapatos de saltos e mal podia andar. Na sua cabeça carregava um molho de capim, ela chama de cabelo-extensão que lhe custou 7500Mt. Mas quando se dirigiu aos vendedores de tomate, batata e cebola ela começou a discutir o preço. “Baixa-me o preço de bata”, disse entornando algumas gotas de lágrimas nos seus olhos pintados de matope creme. De tanto insistir sem sucesso começou a chorar como se tivesse razão. Perdoaram-lhe a tarifa de tanto conclamar.

Mas o que mais me admirou naquele cenário foi a situação de Dra Safira ser incapaz de ajudar os pobres, mas disponível de gastar muito dinheiro para comprar cabelo, pintar as unhas, comprar sapatos altos e não consegue tão pouco ajudar um simples vendedor de batata reno. Assim também fazem muitos ricos neste tempo de Natal. Será isso um comportamento justo? Como fazer com que ajudemos os mais pobres? E mais não disse!

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