Crónica do Dia – BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA

Por Kant de Voronha

Hoje em dia cada um usa a sua grandeza de várias formas. Há uns de bom coração. Mas há também os que usam sua grandeza de maneira abusiva só para deixar outros com tenção alta ou AVC, vulgo trombose.

Lawiheke é funcionário do Estado, trabalha numa das Direcções Provinciais em Nampula. Ele é exemplar no seu serviço tendo comprovado algumas virtudes como: assiduidade, pontualidade, e respeito para o próximo. Lawiheke está a caminho de reforma, só lhe faltam 2 anos para se beneficiar deste direito.

Lamentavelmente, há poucos dias no seu sector de trabalho houve renovação do uniforme de trabalho para uso dos funcionários nas horas de prestação de serviços e atendimento ao público. Mas Lawiheke não foi contemplado neste novo uniforme. É o único que continua usando o uniforme anterior que recebera no ano de 2018.

Como é um indivíduo sem queixas, tentou ruminar esse facto na sua caximónia e não encontra respostas porque o silêncio não fala. Entretanto, o seu chefe profere palavras ingratas para com os seus colegas. Mas como se costuma dizer “tenha cuidado quando quer falar mal de alguém porque malaxi wòtha”. Uma vez o chefe de Lawiheke estava com os amigos, também eles chefes e chefinhos, numa sombra escondida a tomar umas geladas apesar de ser proibido criar eventos recreativos e de lazer. Quando tomou uma, mais uma e outra uma, os ânimos levantaram e começou a falar do seu subordinado dizendo:

“Na minha instituição compramos novo uniforme para todos mas Lawiheke não terá direito porque ele é irresponsável”. Na ocasião, estava servindo os copos um outro subordinado doutra instituição. Ora, como se costuma dizer, “axinamattottho khanìmanana makukhu“, este correu para dar aquela triste notícia ao companheiro.

Lawiheke quando recebeu a notícia, não reagiu contra ninguém por simples razão, não guarda rancor com ninguém, só agradeceu a Deus, guardou silêncio e continuou a trabalhar.

Quando Lawiheke me partilhou do infortúnio da sua exclusão ao novo uniforme lembrei-me do ditado que diz “boca calada não entra mosca”. Com tempo o uniforme virá, mesmo que seja na sua reforma. Muitas vezes, a recompensa dos que fazem o bem tem sido a ingratidão e mau reconhecimento. Aliás, Jesus foi crucificado e morto só por fazer o bem. Mas será que deve ser assim nas nossas instituições? É recomendável excluir ou preferir umas pessoas em detrimento de outras? Uma cobra quando entra numa casa ataca a todos. Ouviu? E mais não desse!

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