CEM INDIGNADA COM A GUERRA QUE DEBELA A PROVINCIA DE CABO DELGADO

CEM INDIGNADA COM A GUERRA QUE DEBELA A PROVINCIA DE CABO DELGADO

Por Elísio João

A Conferencia Episcopal de Moçambique voltou a manifestar a sua proximidade para com os irmãos e concidadãos de Cabo Delgado mergulhados na grande tribulação.

Um Comunicado do Secretariado Geral da Conferência Episcopal de Moçambique recebido na nossa Redação, refere que os bispos de Moçambique, asseguram constante oração, pedindo para que Deus console os irmãos de Cabo Delgado em toda sua tribulação devido por um lado, a pandemia global do coronavírus e, por outro o recrudescimento dos ataques naquela região e de outras formas de violência, criminalidade e violação dos direitos humanos, que infelizmente se multiplicam na sociedade moçambicana.

No Comunicado que temos vindo a citar, os Bispos reunidos no Seminário de Santo Agostinho na Matola de 9 a 13 de Junho para a primeira Sessão Ordinária da Assembleia plenária da Conferência Episcopal de Moçambique, deste ano de 2020, referem que como pastores, postos a frente do rebanho, saúdam a todos os fiéis das nossas comunidades, Sacerdotes, Consagrados e consagradas, povo cristão e todos homens e mulheres de boa vontade que se esforçam por viver e testemunhar a esperança nestes momentos de grande tribulação.

Os bispos da Conferência Episcopal de Moçambique receberam naquele encontro, o Núncio Apostólico em Moçambique, Piergiorgio Bertildi, acompanhado pelo novo Secretário da Nunciatura, o reverendo Padre Suman Anthony Paul que se encontra em Moçambique desde Março último.

Partindo do trecho bíblico do primeiro Samuel, lê-se no comunicado que –“o Senhor Núncio apostólico brindou-nos com uma reflexão espiritual e pastoral na qual, neste contexto de isolamento, impossibilidade de celebrações públicas, distanciamento social entre os pastores e o rebanho, devido a pandemia da Covid-19, nos convidou a voltar aos fundamentos da nossa vocação apostólica para recuperarmos o frescor do nosso serviço ao Evangelho”– termina o oficio da Conferência Episcopal de Moçambique, enviado as comunidades Cristãs e as pessoas de boa vontade.

Numa outra nota, intitulada- “Alegrei-me quando me disseram vamos para a casa do senhor”, os Bispos partilharam a forma como a Igreja Católica reage, actua e se adapta as mudanças e problemáticas provocadas pela pandemia de covid-19 e consequente estado de emergência.

Na componente Socioeconómica e pastoral, os bispos referem que a Covid-19 está a ter um forte impacto na sociedade moçambicana e na Igreja Católica em particular a nível socio-económico, pastoral em político.

A nível Pastoral, segundo a nota, sente-se nos fiéis um grande sofrimento pela suspensão das celebrações comunitárias, impedidos de uma participação física na eucaristia e na celebração da palavra Dominical.

Em alguns casos, notam, houve incompreensão e até desconfiança , mas depois dos devidos esclarecimentos  houve uma aceitação responsável desta medida.

Neste ponto, constatou-se a oportunidade de se valorizar a dimensão familiar da fé, algo que tínhamos esquecido um pouco na nossa acção pastoral.

A nota recorda que a Igreja Católica e família de famílias e cada família católica e igreja domestica na qual se sustenta a vida crista.

A nível Socioeconómico, os bispos estão preocupados com as consequências laborais, económicas e sociais que já se sentem em Moçambique.

“Estamos a viver uma recessão económica grave que esta a ter drásticas consequências sociais” – Lê-se na nota que sustenta esta afirmação com o aumento da pobreza, do desemprego, da fome, da instabilidade social, da criminalidade, do medo e perca de qualidade de vida.

Neste tempo de pandemia, nota-se o crescimento da pobreza urbana em muitas regiões, havendo situações de desespero sobre o futuro das famílias e situações crescentes de famílias que passam fome por causa do impedimento dos negócios da rua e a perca do emprego e ausência de remessas das quais dependem a família.

A nota que estamos a fazer referência, apela aos fiéis para que não desperdicem a oportunidade que este tempo nos oferece, pois também as adversidades nos estimulam ao crescimento.

Apesar de todos os limites, os bispos encorajam a todos a trabalharem para ajudar a redescobrir a presença de Deus na sua palavra e nos pobres a ainda tomar consciência da importância da solidariedade para o cuidado e o crescimento da sociedade.

Lembraram das palavras do Papa Francisco – Estamos no mesmo barco, ninguém se salva sozinho – para referirem que a esperança cristã é a nossa companheira principal nesse período difícil que estamos a atravessar juntos.

A Igreja católica em Moçambique, conclui a nota em nosso poder, quer continuar a ser portadora da esperança que nasce da fé, tanto para as comunidades católicas como a sociedade moçambicana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *