Crónica – A MULHER QUE SE DESMONTA EM PEÇAS

À medida que o tempo passa, nascem mais e mais mulheres e os desejos e apetites vão crescendo mediante o contexto e o local onde se vive.

Nascemos neste mundo e a natureza não nos oferece oportunidades de escolher se queremos nascer brancos ou negros, mulatos ou dourados, claros ou escuros, altos ou baixinhos, gordos ou fuinhos, bonitos ou deformados, etc. Para cada novo nascer manifesta-se a vontade de Deus que traz a nova criatura ao mundo.

Entretanto, os avanços da ciência e tecnologia proporcionam igualmente nova maneira de encarar a vida e assumir a própria natureza. Por isso que é comum ouvir com regularidade episódios de homens que se transformam mulheres ou mulheres que se transformam homens desafiando assim a sua natureza física. Quando falta dinheiro para fazer operações adequadas eles fazem-no com atitudes visíveis. Homens que trançam cabelos em competição com as respectivas esposas, usam brincos, batom e pintam unhas, furam o nariz e usam saias ou saiotes. Mas também não faltam mulheres que cortam careca, vestem-se como homens e comportam-se como tais. Que negócio é este?

Mas o que mais se destaca na actualidade é a multiplicação de mulheres desmontáveis. Em casa vivem como se nunca tivessem cabelos nenhuns. Mas quando saem de casa, usam perucas com cabelos compridos, acompanhando com unhas e sobrancelhas compridas, bolsas pesadas dobre o braço, blusinhas e todo corpo desenhado em todas curvas e meandros. Ao seu regresso, chegadas à casa desmontam os cabelos, o betume que pesa sobre o corpo, as sobrancelhas de verniz, as unhas de águia, as bundas de plástico, os sapatos de salto, os dentes brancos de prótese, e ficam ao natural. Boca sem vizinhos, testa nua, cabeça de careca e lábios de rato.

Mas já viste aquele monstro quando tira a peruca? Já viste aquela parede quando cai o matope? Já viste aqueles lábios quando sai o batom? Autêntica transfiguração. De facto, quando o dia perde claridade, a escuridão impera.

Afinal, o que mais conta hoje é viver de aparências e agradar os demais. O que importa é fazer de conta. Eis a razão de vermos muitas pessoas postando fotos em casas alheias, lojas, hotéis, barracas, ruas, em carros de luxo, e nunca em suas cabanas onde acumulam perucas e roupas emprestadas. Tudo fazem para aparecer e impressionar os outros.

Certo é que quem nega a sua natureza vive de máscara que só lhe angustia e angustiará eternamente. Nunca terão vontade de ser elas porque o mais importante é enganar e iludir os outros. Você também se desmonta? E mais não disse!

Kant de Voronha

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