Crónica do Dia – A CIDADE DOS BIDÕES VAZIOS

Epoma ya mattonka ah’etthu

Por Kant de Voronha

As mudanças climáticas resultantes das acções humanas começam a ter efeitos na natureza. A estiagem é prolongada, chove em menores quantidades e de forma irregular, aquece com intensidade etc. Mesmo assim, o ser humano continua a derrubar as árvores de forma irracional, queimar as florestas só por causa de um ratinho, lançar gazes prejudiciais ao ambiente, entre outros factores nefastos.

Ora, nos últimos dois anos a situação de seca começa a preocupar-nos sobremaneira. Consequentemente é preciso intensificar acções multissectoriais visando responder de forma acertada a esta problemática. Como é sabido, a água é vida. Onde não há água a vida está sujeita a graves riscos.

A cidade de Nampula é exemplo vivo desse problema. Agora não se trata de bairros periféricos apenas. Até a zona cimento e as grandes individualidades da praça não têm água nas torneiras.

Vivem na cidade de Nampula cerca de 1 milhão de habitantes. Cada um deles precisa do consumo da água. Para além disso, há fábricas, indústrias, hotéis, restaurantes, jardins que consomem grandes quantidades de água. A única barragem sobre o rio Monapo que abastece a cidade de Nampula agora não tem mais água e o mais agravante ainda a chuva não cai com regularidade. A população de Nampula continua a crescer diariamente e as necessidades seguem o ritmo da densidade populacional. Até quando viveremos assim?

A cada dia que amanhece vemos carros, pessoas singulares, motorizadas, bicicletas e peões carregados de bidões cheios ou vazios a procura de água. Encontramos bichas enormes em fontenários e torneiras que fornecem um pouco de água. Passa-se muito tempo na bicha para conseguir água insuficiente para todo agregado familiar e suprir as necessidades de toda família. Agora é comum tomar banho uma vez só ao dia ou simplesmente escovar os dentes, pentear e seguir o caminho em direcção ao serviço. Há quem faz dias sem banho. Toda quadra-festiva foi passada a meio deste problema.

Os que conseguem compram água directamente na barragem (Risos). E como ficarão as facturas de água nas nossas residências? Continuarão a cobrar sabendo que não sai água nas torneiras? Espero que esta lição sirva para os que gerem os serviços de distribuição de água. A barragem de Monapo é agora insuficiente para cidade de Nampula. Mas esta situação terá dias contados? E mais não disse!

One Reply to “Crónica do Dia – A CIDADE DOS BIDÕES VAZIOS”

  1. Eu José Albano de momento residente na Alemanha, trazia tecnologias sustentáveis para a luta contra mudanças climáticas. Com material orgánico e estercos de animais, produzimos o Biogás e Biofertilizante, uma tecnologia que nos alivia de lenha e carvão vegetal assim conservando o meio ambiente da biomassa depois de descombor em gás temos os restos como o adubo para as machambas. Infelizmente os Gestores do governo me ingnoram. O Alemão sai em vantagem das tecnologias que iriam servir o povo irmão moçambicano. Meu contacto WhatsApp 00258867463850 a partir de Berlim

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *