Crónica do Dia – A FOME VIRÁ DE NOVO

Por Kant de Voronha

Maior parte do povo moçambicano depende da agricultura para o seu sustento. Aliás, a economia de Moçambique depende em grande parte da prática agrária. Apesar disso, muitos agricultores são os de baixa renda. Capinam para sobreviver esperando o dia da sua morte.

Trata-se daqueles que capinam com enxada de cabo curto e totalmente dependentes da queda de chuvas. Ora, com as mudanças climáticas e a queda irregular de chuvas, muitos camponeses ficam enfraquecidos, não produzem nada. Como resultado disso, passam fome. Já temos experiências recentes desse fenómeno.

Entretanto, o que mais me admira é ver que essas pessoas não aprendem com os seus erros ou com as situações passadas. Por isso mesmo que quando produzem alguma coisa continuam a cometer os mesmos tropeços. Umas vendem os produtos desnecessariamente; outras pessoas até são capazes de trocar com bebidas alcoólicas sem lucro se quer. Pessoas há, igualmente, que gastam seus produtos sem pensar no futuro. Depois de acabar tudo, começam a pedir esmola. Eis então que “cabeça que não regula, o corpo paga”.

Saibamos que a alimentação é um direito fundamental que assiste a todos e a cada um dos moçambicanos. Ninguém se deva dar o luxo de viver apenas no presente sem aprender com as lições do passado e sem prever o futuro. Quando vendemos os nossos produtos é preciso saber guardar algum excedente para alimentação.

Quando isso não acontece aparecem compradores que aliciam com preços aparentemente favoráveis. Há uns que vendem o amendoim a 35mt ou 50 o kg; 15 meticais o feijão e até 10 a 12 meticais o milho. Agora parece bom. Mas não se esqueçam que no tempo da sementeira os mesmos produtos iremos comprar a dobrar no mercado Waresta e o bolso estará furado.

É preciso usar o raciocínio de forma correcta. Ninguém deve viver de emoções, apenas para conseguir dinheiro de um dia e viver 364 dias em branco, sem sabão, sem escova, sem roupa, sem comida, sem caderno para os filhos; apenas de mãos vazias, corpo pálido, olhos vermelhos e boca com rasgamanta. E mais não disse!

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