Crónica do Dia – A GERAÇÃO DE CASAMENTOS FORÇADOS

Por António Mukatthe

Houve tempos em que para se casar era preciso demonstrar responsabilidade e maturidade. Por isso mesmo, o casamento não era para quem quisesse. Para alguns jovens até aos 20 anos, a mulher continuava a ser um tabu.

Nessa altura para se casar os pais deveriam autorizar. Depois de provada a maturidade humana e social do jovem, os pais ou tios do jovem iam pedir casamento com uma jovem bem preparada em casa de seus pais. Após o consentimento entre as partes seguia-se um tempinho de instruções sobre os procedimentos dum lar.

Nos dias que correm tudo mudou. Maior parte dos casamentos não são autorizados. Já não são os pais que pedem ou autorizam o casamento. Apenas são informados sem direito de opinar contra ou a favor. E não surpreende que haja casamentos de rua; casamentos forçados e obrigatórios por conta de gravidez das bananeiras.

Além disso, encontramos jovens com 16 ou menos anos de idade já são pais de 2 ou mais filhos. Mas não têm casa, não têm machamba; não trabalham; se calhar terminaram 6ª classe apenas. Estão dependentes de seus pais e avós. Passam maior parte do seu tempo a divertir-se como bebé e menos se preocupam com os estudos. Os seus pais devem sustentar a eles e seus filhos.

Outro grupo de jovens dedica-se incansavelmente a expor seu corpo nu na rua com saias curtas ou calças que não chegam na cintura. Não se respeitam nem dignificam a si próprios. Trocam o corpo com dinheiro de um dia. Nem se deixam aconselhar.

Por isso na última sexta-feira quando me fiz ao famoso bairro de Namicopo encontrei uma jovem que se lamentava dizendo: “Flora perdemos a nossa dignidade com essa maneira de vestir”. Mas a Flora retorquiu a sua amiga dizendo: “estamos no tempo moderno, da geração de telefones. Quem não aguenta abandona”.

É realmente essa a mentalidade negativa que arrasta a mente de muitas pessoas. Pensa-se que o facto de ter um celular que tira foto podem mostrar tudo que possuem dentro da roupa.

Nunca se disse que a geração dos celulares possa ser irresponsável e vendedora de nudez. O corpo humano é sagrado e deve ser conservado na sua sacralidade. A montra é para mercadoria e não para corpo humano.

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