Crónica do Dia – A NOSSA PAZ É VIÚVA

Murettele ahu nàmukhweli

Por Kant de Voronha

Moçambique celebrou no passado 4 de Outubro corrente 28 anos do Acordo Geral de Paz. Depois de 16 anos de guerra civil julgou-se procedente terminar com o sangue. Muitas mulheres ficaram viúvas porque seus maridos morreram na guerra. Muitas crianças ficaram órfãs por conta da mesma guerra que semeou milhares de mortos regando o solo pátrio com sangue inocente. Qual é o lucro dos 28 anos de Paz?

A Paz efectiva está longe de acontecer. Pois, de forma intermitente, conflitos ressurgem no centro do país, sobretudo nas províncias de Sofala e Manica. Ao mesmo tempo que com a descoberta do gás e petróleo na bacia do Rovuma instalou-se um conflito intenso nos distritos do norte da província de Cabo Delgado. Esta problemática semeia muito luto e tristeza; despoja muitas famílias e derruba muitos bens. Como consequência disso, fala-se de deslocados que procuram segurança e conforto noutras províncias.

Diante deste cenário de opressão, de guerra, de conflitos e de instabilidade sociopolítica, quem são os inimigos da Paz de Moçambique?

O primeiro inimigo que se torna em “maldição” para nossa terra são os recursos minerais, as riquezas naturais que criam apetite e cobiça para os endiheirados. O segundo inimigo que destrói a nossa Paz é o dinheiro. As pessoas lutam para ter dinheiro e acumular cada vez mais.

O terceiro inimigo são os “poderosos”, nacionais e internacionais porque querem implantar a sua hegemonia e dominação sobre os outros. O quarto inimigo são as armas porque são elas que matam pessoas inocentes e destroem os bens do povo.

O quinto inimigo são as pessoas coniventes que vendem seus concidadãos em troca de dinheiro. O sexto inimigo é a política porque por meio dela se tem o domínio sobre todas as coisas. Aliás, costuma-se dizer que quem tem poder político tem controlo de tudo.

O sétimo inimigo é a falta de consciência de patriotismo porque em virtude disso muitos se envolvem no culto a personalidade, a bajulação, a promiscuidade cultural e religio-social, a corrupção, a burlas, etc. O oitavo, o nono, entre outros inimigos, são os que você também conhece. E assim a lista cresce de forma ilimitada.

Esses inimigos deixam viúva a Paz moçambicana! Nós somos capazes de viver em paz e harmonia. Mas é preciso eliminar todos inimigos da Paz. Com efeito, não precisamos de guerra. Precisamos de consciência. Cada um de nós deve saber que é peça fundamental para a construção de um país pacífico e pacificador. Acabemos com as armas do coração.E mais não disse!

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