Crónica do Dia – AQUELE HOMEM ERA VISIONÁRIO

Por Kant de Voronha

Moçambique faz, hoje, memória do grande homem filho desta terra, Samora Moisés Machel. O primeiro Presidente de Moçambique morreu no dia 19 de Outubro de 1986 quando o avião que o transportava despenhou em Mbuzini.

Depois de assumir as rédeas do país, Samora implantou um sistema de governação que fazia gemer. As pessoas temiam. A minha avó contava-me sempre que Samora era homem de gema. Mesmo quando falasse pela rádio a sua voz fazia sentir a presença de um sonhador, de um comprometido.

Por causa da sua dureza, era muito chorado. Como dizem os outros, era pedra no sapato. Mas afinal isso ajudava pôr na linha muitas coisas.

Samora sonhava em construir um país onde todos fossem capazes de viver com dignidade. Por isso dizia: “O dever de cada um de nós é dar tudo ao povo, sermos os últimos quando se trata de benefícios, primeiros quando se trata de sacrifícios. Isso é que é servir o povo. Ouviram?”

Esta visão perspicaz nem sempre foi bem acolhida naltura dos factos. E sem hesitar apelava: “Não podemos construir a felicidade e o bem-estar do povo com malandros e criminosos”.

Um homem apostado na formação dos cidadãos, ele quis que a escola fosse uma base para o povo tomar o poder. Porém, a ganância do ser humano faz com que o sistema de educação multiplique analfabetos e pessoas incapazes de criticar as suas acções. Aliás, consciente desta realidade, Samora dizia: “O poder e as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper facilmente o homem mais firme. Por isso queremos que vivam modestamente e com o povo. Não façam da tarefa recebida um privilégio ou um meio de acumular bens ou distribuir favores”.

Mas é isso que vemos acontecer diariamente. Os benefícios, os favores, os privilégios, etc tudo gira em volta das mesmas pessoas. Samora já tinha advertido certas atitudes de pessoas viradas para o próprio umbigo. De facto, é isso que contribui na degradação do país e das relações humanas. Outrora, Samora falou dizendo:

“Não sei se um ambicioso muda. Mas a minha experiência prova que não. Muda de táctica, mas não elimina a ambição. Um ambicioso é criminoso ao mesmo tempo, pode matar por causa da sua ambição, pode aliar-se facilmente ao imperialismo só por causa da sua ambição, do seu interesse individual e é capaz de tudo: vender a pátria, vender a revolução, destruir e impedir o progresso do país só por causa da ambição”. E mais não disse!

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