Crónica do Dia – ASSEMBLEIA MUNICIPAL NÃO SABE ENTOAR O HINO NACIONAL

Por Deolindo Paúa

Para ocupar um cargo governativo e público é preciso sensibilidade pela causa pública, amor à pátria e conhecimento das regras de governação. Pela experiência a que somos habituados no dia-a-dia, podemos admitir que nosso país tem um défice de qualidade de dirigentes políticos. É que há dirigentes que assumem o poder e não sabem o que devem fazer para resolver os problemas das pessoas a quem dirigem. Em teoria, chegam a esse poder sem entender a sua exigência, assustados.

Na semana passada um jornal reportou um facto curioso e triste: “os membros da Assembleia Municipal não sabem entoar o Hino Nacional”. É verdade que não saber entoar o Hino Nacional não significa não ser útil, nem significa que tais membros sejam os piores. Mas quando li a notícia vieram-me à mente duas preocupações: o que mais eles não sabem? De todos os políticos, serão só eles, os de Nampula, os que não sabem entoar o Hino Nacional? Uma coisa é certa, se não sabem entoar o Hino Nacional que se supõe ser símbolo das aspirações do nosso povo, então, pelo menos como políticos, não sabem o que fazem como representantes dos munícipes.

O mais provável é que também não tenham o domínio da constituição, não conheçam as leis que norteiam o seu trabalho, nem ao menos compreendam as suas atribuições em relação ao povo que representam. Não é de admirar que sua preocupação seja a de estar mais alinhados com o partido do que com o povo, mesmo que seu partido não tenha a postura desejável.

O problema dos políticos que não sabem o que fazem ultrapassa a Assembleia Municipal de Nampula e atinge o âmbito nacional. Há presidentes de municípios que não sabem porque o são; há governadores apenas assumindo o cargo porque o seu partido assim desejou; há ministros no cargo apenas por dinheiro e regalias, sem preocupação de entender sua obrigação. Então como poderiam saber entoar um simples hino nacional?

Na mesma fila dos que ocupam um cargo cuja missão desconhecem, a nossa Assembleia da República está cheia de deputados improdutivos, vítimas de ignorância da sua missão. Por isso, é frequente vê-los dormindo em plena sessão quando deviam exigir vida condigna para o povo que representam. Se nossos representantes não estiverem a par do que nos torna povo, então, nada fazemos. Merecemos ser representados por gente séria e, sobretudo, por gente comprometida com nossa causa como Estado.

É responsabilidade dos partidos políticos colocar nos comandos do poder público pessoas que tenham sensibilidade patriótica para não nos transformarmos num país de patetas. Não é tempo de sermos representados por políticos e dirigentes amadores.

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