Crónica do Dia – FAZER NEGÓCIO É CRIAR PARCERIAS

Por Deolindo Paúa

Num país empobrecido como o nosso, onde sobrevive só quem é conhecido por quem tem poder, a nossa solução de sobrevivência deve vir das nossas mãos. Resignar, lamentar-se, sair em prejuízo dos outros roubando e matando não são soluções.

É encorajadora a tendência de várias pessoas de iniciar um negócio que lhes faça ganhar a vida. De facto, quem passa pelas ruas e bairros da cidade de Nampula nota que há cada vez mais jovens abrindo uma barraca. Homens e mulheres vendendo alguma coisa para sua sobrevivência. E isso elimina a preguiça. Os jovens mais inteligentes e espertos aos poucos abandonam o consumo de álcool e das drogas, abandonam a ladroagem para se empenharem em algo honesto e valioso.

É igualmente satisfatório notar que a cada dia diminui o número daquelas mulheres que ao amanhecer tomavam banho, limavam as unhas e se dedicavam a fofocas, murmúrios e a calúnia, esperando apenas que o marido trouxesse comida. Estamos num bom caminho!

Mas é preciso saber que negócio entre cliente e vendedor não é uma relação de inimigos, mas de parceiros. No último final de semana passei por uma mercearia para comprar sabão. Ao entrar cumprimentei gentilmente, mas para a minha surpresa, a proprietária não me respondeu porque estava ocupada com o seu telemóvel. Compreendi. Aguardei por alguns instantes que ela terminasse de fazer a sua mensagem no telemóvel para me atender, mas nunca terminava. Então decidi perguntar o preço do sabão. Não respondeu. Quando insisti recebi uma resposta arrogante e ameaçadora: “senhor, os preços estão todos na prateleira!” Só depois de eu tê-la chamado atenção sobre a não existência do preço pelo menos no sabão, é que com preguiça, ergueu-se e atendeu-me, sem me encarar, chateada como se estivesse me oferecendo o sabão.

Infelizmente encontramos vários comportamentos na nossa praça de mau atendimento aos clientes. Como clientes, somos insultados ao comprar um refresco, ao comprar pão, ao pagar um bilhete de viagem, somos desprezados até ao comprar tomate, ao apanharmos um chapa.

A sobrevivência do negócio depende dos clientes. Mas infelizmente o respeito pelos clientes não faz parte do vocabulário dos novos comerciantes, sobretudo os moçambicanos. Preferem a arrogância. Por isso vemos vizinhos que preferem caminhar longa distância para comprar um bem que podiam encontrar ao lado de sua casa. Negócio é uma troca entre um bem e o dinheiro. Desrespeitar um cliente que vem adquirir um bem com o seu próprio dinheiro é dize-lo para não voltar.

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