Crónica do Dia – MENINAS DEPENADAS

Por Kant de Voronha

Dizem com frequência que a capulana é inerente à cultura africana. Mas ultimamente esse valor cultural é relativizado e ganha relevo em algumas circunstâncias. Por exemplo na catequese e na Missa usam capulanas mas no fim delas ficam na bolsa.

Desde que o mundo se tornou pequeno com a aldeia global as coisas começaram a complicar. Importamos tudo. Para além da comida pronta para consumir, da vida descartável e fácil, importamos também a nudez e a falta de vergonha. Esquecemos que o corpo é templo do Espírito Santo, merece respeito e dignidade e tornámo-lo objecto de montra e exibição porque “a mercadoria para ser comprada deve ser vista” conforme alude o provérbio popular.

Por isso, as nossas mães e manas, avós e netas, primas e tias trocam tudo. A roupa que era para vestir dentro do seu quarto é a melhor roupa que usam para ir passear na rua ou ir tchilar na festa, ou o mais agravante, ir labutar no seu sector de trabalho. Percebe-se logo que é um vírus contagiante que atualmente cegou as consciências femininas, das mais velhas às mais novas. As crianças copiam das mães ou suas educandas. Porque são essas pessoas que compram roupas pequenas fora da idade da criança. E a doença vai-se agravando à medida que as gerações avançam.

Para as famílias conservadoras vêem-se num desafio enorme. Proíbem em casa, mas encontram suas filhas depenadas na rua. Porque com a história das bolsas que vemos diariamente, as mulheres de agora saem de casa trajadas de capulanas dos cabelos aos pés. Mas basta sair do quintal despem tudo, enfeitam-se das tjunabeybes e curtem a vida pelas ruas. Ninguém as exige coerência de vida. Exibem o peito e o bum bum, desvalorizando a sua dignidade como mulher. Algumas delas fotocopiam seu corpo julgando que são melhor apreciadas quando andam nuas na praça.

Não sei se realmente a civilização implica perda de identidade cultural ou da dignidade humana. Só que é falta de lógica porque na sua generalidade, as pessoas que vendem esse tipo de roupas você encontra tapadas todo corpo num jeito que dignifica a mulher, desde a planta dos pés até ao último cabelo. É essa emancipação que queria alcançar? Até que ponto as mulheres estão livres da moda escravizadora? E mais não disse!

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