Crónica do Dia – NINGUÉM TRITURA O SEU PRÓPRIO DEDO

Khuvo omphita ekathawe

Por Kant de Voronha

A experiência de cada dia, as práticas correntes e os factos históricos mostram que “ninguém consegue triturar o próprio dedo”. Da mesma forma que se torna difícil martelar o dedo porque sente dor, igualmente custa ser juiz da própria condenação.

Em muitas ocasiões e de diversas formas vimos que em Moçambique é mais fácil condenar população descalça que um gravatado. Os que inundam as cadeias não são cidadãos dos gabinetes. Não. É proibido levar as gravatas ao Sinédrio e, sobretudo, para a cadeia. Mas sabe-se que os indefesos, os sem advogados, os sem padrinhos, os sem ninguém caem na armadilha dos grandes por serem obedientes. Os que dão ordens ficam inocentados.

É em virtude disso que se torna difícil conhecer os autores de crimes organizados; matanças, assassinatos, tráfego de drogas e partes do corpo humano. É por isso que custa estancar a corrupção pela raiz. Tudo tapa-se como se o tsunami não deixasse rastos. O nosso povo costuma dizer que “um problema não apodrece”.

Mas no nosso país, os problemas envelhecem. Alguns deles por causa da sua idade avançada tornam-se em práticas normais. Por exemplo, muitas senão todas mortes encomendadas nunca explicam ou condenam seus autores. Será por falta de meios ou perícia na criminalística? Será por falta de vontade? Ou será porque não se pode triturar o próprio dedo?

O povo continua na incógnita sem saber quem matou os heróis anónimos desta terra. Continuamos inconsoláveis sem saber quem matou ou mandou matar Mópoli de Nampula, Mahamudo Amurane. Até agora custa celebrar o 4 de Outubro como dia da Paz. Porque no princípio da noite daquele dia, em 2017, 3 balas cujos autores continuam a ser escondidos alvejaram o futuro da nossa província. Já passam 3 anos, ouvidos alguns declarantes, ainda não há provas materiais.

O arquivo dos mortos não esclarecidos vai sendo alimentado com novos casos. Isso nasce como fruto de uma justiça capturada e penhorada. Este tipo de justiça tudo faz para satisfazer e agradar ao chefe. Quando o chefe é implicado fica revoltado e capaz de dizer eu não confio na nossa justiça. Até quando tapareis o sol com a peneira? E mais não disse!

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