Crónica do Dia – O Silêncio que mata sem saber

Por Atílio Estêvão

Nos tempos passados, no processo de luta de libertação nacional, o silêncio e o comodismo foram termos raros de serem pronunciados. Foram quase palavras inexistentes na boca dos que combatiam, ou seja, nunca foi a característica dos combatentes, viver no silêncio dominante e no comodismo porque isso só podia facilitar o triunfo do inimigo.

Mas nos nossos dias, acontece o contrário. As pessoas vivem num silêncio dominante e comodismo de consciência que toma conta delas. Diante de um ladrão que agride um cidadão em plena rua, é deixado sofrer, sem socorro.

As pessoas sofrem, morrem injustamente, mas com as consciências que hoje temos não há como protestar isso. Permanecemos no silêncio acompanhado pelo comodismo consciência como se estivéssemos num profundo abismo onde não há luz e tudo se esconde como se nada estivesse acontecer.

E quando uns se julgam ser homens de verdade, varões decididos em discordar com esquemas de injustiças sociais, outros mais fortes sobrepõem-se e os calam a voz. Na verdade, não passam de um papagaio, aquele que o vento comanda a sua movimentação. Têm consciência morta e nada lhes importa senão alimentar seus interesses e encher o saco. E a maioria como já está entupida e dominada pelo silêncio, então deixa tudo passar. E assim os dominadores e sanguinários continuam a vencer.

Nos nossos bairros, o número de alfaiates fantasmas, tem aumentado. Eles, se fazem passar de alfaiates especializados, formados, mas com outros objectivos. Andam com as suas agulhas e linhas, para costurar a língua e a boca dos que querem sair do abismo escuro. Fazem divisões, estabelecem limites regionais e até constroem murros só para não terem o peso da consciência e dizem tranquilamente: Nada acontece na nossa região. Assim sendo, nada faremos para mudar porque nada nos importa. Será esta a solução de tudo? Até quando permaneceremos neste desastre?

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