Crónica do Dia – SEM ÁGUA NÃO HÁ VIDA!

Por Deolindo Paúa

Pela graça de Deus estamos localizados numa região onde abundam rios de regime constante e enormes lagos. Aliás, até o subsolo oferece água em quantidade suficiente para suprir as necessidades das pessoas. No caso de Moçambique, as comunidades, regra geral, situam-se perto de grandes rios. O que significa que estamos rodeados de água potável. Mas por que motivo então a maior parte das comunidades sem água? Por que motivo as Cidades que possuem água canalizada são abastecidas com dificuldades?

A resposta poderia ser simples. A de que não existem condições técnicas e financeiras para abastecer água com abrangência.

Há dias desloquei-me ao Distrito de Muecate para um passeio. Estando lá, notei que as mulheres e as crianças tiravam água de poços feitos nos quintais ou em fontenários muito cheios de pessoas. Fiquei admirado porque há dois anos, com pompa e azáfama, o Presidente da República tinha inaugurado um sistema de abastecimento de água que se supunha ser a solução para o Distrito. Quando perguntei sobre seu funcionamento a resposta foi-me dada com ar de desespero: “funcionou apenas seis meses!”. Caricato! Milhões de meticais foram gastos para erguer o sistema, outros milhões gastos para movimentar comitiva do presidente da República e do governador apenas para inaugurar um sistema que duraria seis meses!

Quem pensa que este é um problema relativo apenas a Muecate, está enganado! Muecate é só um exemplo de vários Distritos na mesma situação. Na nossa região de vários rios com capacidade de suportar barragens com água em abundancia, há pessoas consumindo água imprópria até nas cidades. Infelizmente, apesar da abundancia de rios que temos, há falta de água para o consumo.

A Cidade de Nampula, por exemplo, vive dias piores, com restrições de abastecimento de água. Em alguns bairros chega-se a consumir água suja dos riachos e poços improvisados. Diz-se que a barragem não captou água suficiente para abastecer a Cidade. Porém, há quem considera que o abastecimento é feito em regiões de elite, deixando-se de lado as regiões suburbanas. Não podemos negar este facto enquanto vemos que todos os dias, ligações de água para os ricos são feitas de forma urgente enquanto os mais pobres devem esperar meses, mesmo com o contrato já estabelecido.

Não podemos negar essa descriminação se vemos também zonas da cidade abandonadas, sem água há meses, quando em outras zonas jorra água diariamente. Mas o que não podemos negar mesmo é que, apesar de todos os rios que nos rodeiam, o governo prefere construir sistemas de abastecimento em rios ou fontes de captação sazonais. Queremos barragens em grandes rios! Queremos água nas torneiras!

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