Crónica do Dia – SERÁ O FIM DO CALVARIO?

Por Kant de Voronha

Desde tempos idos com os nossos antepassados, a estrada que liga a cidade de Nampula e o famigerado bairro peri-urbano do Marrere caracterizou-se por má degradação.

A via é principal porque leva ao mais antigo e confiado Hospital Geral do Marrere onde pacientes com Lepra, Hérnia, Tuberculose, Epilepsia, Malária, Sida, entre outras enfermidades outrora afluíam augurando solução dos seus problemas e atendimento hospitalar condigno.

Mesmo assim, aquela estrada já esqueceu quando é que foi amada. Automobilistas e peões, ciclistas e motociclistas, sempre calcaram a via até chegar ao Marrere ao som da música e dança dos buracos. Desde o princípio até ao fim daquela via o calvário é doloroso e sem pena.

Dizem que um cão caçador vê-se pelas suas cicatrizes. Igualmente, uma estrada bem degradada nota-se pela dimensão das suas covas. Vezes sem conta, várias viaturas viram-se com a rótula fora do lugar para além de várias peças adicionais que se estragam todos os dias.

Será Marrere um bairro esquecido? Será Marrere um bairro sem ligação a cidade? Será Marrere um bairro que não faz parte do Município de Nampula? E porque foi esquecido no tempo? Haverá, porventura, algum mau espírito que se apoderou Marrere e impede a evolução daquela parcela do Município de Nampula?

Eu me lembro que a Paróquia São Baptista, o Instituto polivalente, a Universidade Lúrio, as casas de elite entre outras infraestruturas de renome estão no Marrere. E porque é que Marrere sempre ficou condenado ao esquecimento?

Parece que essa história ficara para o passado e os nossos netos ouvirão contar como se fosse a travessia do Mar Vermelho que até hoje é contada pelos judeus de geração em geração.

O Edil de Nampula, Paulo Vahanle, hoje mesmo lança a primeira pedra para o arranque do processo de asfaltagem da estrada que nos leva ao Marrere. Tenho certeza que será um grande alívio para toda gente. Então será o fim do calvário do povo?

Só espero que tenham contratado uma empresa séria e comprometida. É preciso valas de drenagem, pontes bem fortes, asfalto de qualidade porque estamos cansados de ver obras de pouca duração. Não é que não se faça reabilitação de uma obra nova, mas em menos de 3 anos começarem as fissuras, covas, numa estrada nova é uma aberração. Estamos todos com o coração a tremer de alegria na esperança que tio Vahanle nos vai tirar do calvário que nos tira sono ao pensar de Marrere. E mais não disse!

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