Deslocados de guerra são alvo de descriminação pelos nativos de Anchilo

Pedro Cusse

As vítimas das acções terroristas de Cabo Delgado, que se deslocaram no Posto Administrativo de Anchilo no distrito de Nampula, estão a ser alvo de descriminação pelos nativos.

A atribuição de nomes pouco abonatórios, retirada das casas em aluguer de forma compulsiva, e o aumento de preço de renda das casas quase que mensalmente, são algumas das questões que constam no rol das preocupações das mais de duas mil famílias, que pela força do terrorismo viram o posto administrativo de Anchilo como a terra mais segura para dar seguimento as suas vidas.

Ali Issa, natural de Mocímboa da Praia e Benência Tomás Matias natural de Macomia, ambos da província de Cabo Delgado, disseram que é difícil viver sob pressão psicológica, com medo de qualquer momento serem despejados e viverem na rua. 

Aqui muitas pessoas são preconceituosas muitas vezes nos chamam de “Al Shabab” e isto dói, não é fácil“- lamentaram e vão mais longe ainda ao afirmar que “quando chegamos a esta zona fomos bem acolhidos, mas entristece-nos os preços de aluguer das casas que sem nenhuma explicação aparente sobem de preços todos os meses, estamos a pedir ao governo para olhar a nossa situação“- gritaram os deslocados.

As nossas fontes elogiam o papel da Igreja Católica no acolhimento e acompanhamento social e espiritual das pessoas que fogem do barulho perturbador de armas de fogo.

A igreja nos ajuda muito desde a nossa chegada a este distrito até agora, fomos bem recebidos e vivemos bem e em segurança graças a igreja” exaltaram.

Virgílio António, ancião da comunidade sede da Paróquia Imaculado Coração de Maria de Anchilo, defende a necessidade de as pessoas terem mais amor ao próximo, guiando-se nos princípios católicos de boa convivência humana.

Pessoas chamam estes irmãos de “All Shabab”, não é bom que chamem estas pessoas de nomes estranhos isto não é bom não se deve expulsar as pessoas das casas que alugam de forma abusiva” – Observou Virgílio António, o qual manifestou de forma cortante a sua preocupação em volta do banho de sangue que se vive em Cabo Delgado.

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