ELE ESTÁ NA CASA DOIS

YÈNA ARI ETTHOKO YANENLI

Por Kant de Voronha

Moçambique é um país com mais 60% de mulheres. Os homens são poucos comparativamente ao número de mulheres. Talvez seja por isso que desde muito tempo os muçulmanos privilegiaram a poligamia.

Actualmente, parece que a poligamia tornou-se numa prática recorrente. Se antigamente os mais velhos é que poligamiavam, nos nossos tempos, adolescentes e jovens são os maiores artistas em casamentos poligâmicos.

Vezes sem conta encontramos homens com duas ou três mulheres que as assumem como esposas. Porém, apenas uma é oficial, embora na família de cada uma, ele seja conhecido e assumido como genro.

A proliferação da poligamia faz com que muitos homens vivam sem dinheiro; vivam endividados; vivam depenados e a mentir dum lado ao outro porque não conseguem manter a fidelidade no seu lar. Na tentativa de garantir o amor numa, acaba ferindo o coração da outra mulher.

Anselmo Mwàxunku é jovem de 31 anos de idade. Casado aos 18 anos com Anchita Afito, logo que se empregou como alfa e segurança e começou a ganhar dinheiro, imediatamente julgou necessário multiplicar mulheres. Agora é tido como esposo de Fatinha Sitoi e Anifa Rosa Vicente, para além de Anchita Afito. Um jovem de apenas 31 anos já é pai de 9 filhos.

Como é que cuida das esposas e dos filhos? Como é que divide o seu amor e atenção para todas elas? Apenas conseguiu construir uma casa de adobe para Anchita. As outras duas vivem em casas alugadas. Até quando com esse peso? De que forma gere o seu salário durante o mês?

Anchita quando começou desconfiar as mentiras do seu esposo, Anselmo Mwàxunku, empreendeu uma inventiva de seguir os passos do marido. Por isso se diz que não há fumo sem fogo. Anselmo nunca tinha folgas no serviço. Afinal, distribuía as folgas para ir na casa 2 ou 3 e assim a vida seguia em frente. Quando Anchita descobriu a sua rival Fatinha discutiram a queima-roupa ao ponto de se rasgarem as blusas. Anchita ficou com nariz rasgado enquanto Fatinha caiu três dentes da frente, por causa de poligamia.

Mwàxunku quando soube do sucedido justificou-se dizendo: “É que mesmo os chineses não conseguem inventar remédio do casamento. Eu vivo como leproso, dormindo dum lado para o outro”. E mais não disse!

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