Crónica do Dia – ESTAMOS CANSADOS DE COMPRAR ÁGUA

Nokhulumuwa othuma màsi

Por Kant de Voronha

Já ouvi várias vezes, que fingir cansa. Uma pessoa não consegue fingir por muito tempo. Pois, usar capa alheia também cansa.

Aqueles que passam a vida vivendo para agradar aos terceiros, também a dado momento se cansam e começam a viver a sua própria essência.

Desde Abril último aos nossos dias, Moçambique experimenta tempos difíceis de luta contra o coronavírus. Várias medidas são seguidas entre as quais o uso de máscaras em locais públicos e lavagem das mãos com água e sabão ou ainda cinza entre outras. Nos primeiros três meses tentou-se impor uma obediência forçada que culminou na detenção dos que resistiam ao uso da máscara. Ligado a isso, houve quem ganhou lucros em nome daqueles que não usavam máscaras.

Com efeito, cunhavam algumas moedas e eram libertos. Porém, essa face passou. O uso das máscaras ficou refém do arbítrio de cada um. Agora quase que a maioria das pessoas não põe máscaras. Tanto nos chapa-cem quanto nos mercados e feiras ou ainda nas festas tudo está destapado.

Entretanto, o cúmulo do cansaço nota-se até nas instituições públicas. Na quinta-feira fiz-me a uma direcção provincial para tratar certos documentos. E como as regras mandam, dirigi-me aonde havia um balde bem limpo e com torneira intocável. Queria lavar as minhas mãos antes de entrar no gabinete chefe. Para minha surpresa, caí com o balde porque não continha nenhuma gota de água já ia um bom tempo. Perguntei a menina da recepção, porque o balde não tem água? Simplesmente disse: “estamos cansados de comprar água”.

Não insisti na conversa. Depois de ter sido atendido, passei em outros dois lugares onde caí com os baldes grandes e vazios. Foi ali onde me dei conta que realmente, “nem tudo que brilha é ouro”. Cansaram-se de fingir e agora agem só para cumprir. Colocam o balde a entrada da instituição para fazer de contas, enquanto não tem conteúdo.

Portanto, não temos consciência da importância de prevenir o coronavírus. Apenas estamos a cumprir as ordens. Até quando com esta maneira de agir? A quem enganamos? E mais não disse!

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