Crónica do Dia – ESTAMOS MAIS INSEGUROS QUE NA SELVA!

Por Deolindo Paúa

Uma das razões pelas quais instituímos uma sociedade e estabelecemos uma autoridade para velar por todos é a necessidade de segurança. Aliás, a segurança é um direito humano que uma autoridade é obrigada a garantir aos seus cidadãos. Por longo tempo, o local mais seguro para se manter a integridade da vida humana era a sociedade. E o local mais desprotegido e perigoso era a selva, por causa dos animais ferozes.

Hoje, tudo indica que as coisas mudaram. A necessidade de sobrevivência e a ambição pelo dinheiro mudaram as pessoas. As pessoas são mais egoístas, por isso também mais cruéis e ferozes que os animais selvagens. Agora as feras não são os selvagens, mas os próprios humanos que atacam uns aos outros por motivos egoístas. A selva parece ser mais segura do que a vida na sociedade.

Numa dessas palestras que participei alguém, lamentado os episódios do terrorismo em Cabo Delgado, falou da situação deteriorada da segurança em todo o nosso país. Um dos motivos dessa crescente insegurança nas comunidades moçambicanas é a fome, a injustiça e a falta de estratégia política para combater o crime. Não sei se estes motivos são suficientes para agredir e matar os outros. A única verdade dolorosa é que a insegurança atingiu níveis selvagens.

As pessoas são agredidas e arrancadas seus bens nas ruas e em plena luz do sol. Nas grandes cidades, as pessoas são mortas ou sequestradas nas principais avenidas e a alguns metros de postos policiais. Nos bairros, os criminosos desfilam sua classe: entram nas casas quando lhes apetece, batem, violam, matam, roubam bens de forma tranquila, como se não houvesse alguma autoridade para afugentar o crime.

Há quem diz que quem devia proteger é conivente dos crimes. Já não se pode mais usar o próprio telemóvel nas ruas. Até os electrodomésticos luxuosos são comprados nas lojas de dia, mas levados à casa apenas de noite, para evitar exposição e chamada de atenção aos criminosos que nada temem. Onde estamos afinal?

O mais triste nesta situação não é apenas o crime. O mais triste é a ausência da autoridade para impor a ordem desejável e a segurança recomendável aos cidadãos. Sem ordem, a nossa sociedade equipara-se a selva onde cada um vive por si e o mais forte pode agredir quem quiser para adquirir o bem que almeja, sem medo de ninguém.

A nossa sociedade moçambicana e sobretudo as nossas autoridades precisam de conceber um modelo de sociedade capaz de nos diferenciar do comportamento das selvas. Se somos uma comunidade humana, precisamos de garantir em primeiro lugar o direito a segurança que cada ser humano como cidadão moçambicano tem. Ou ficamos seguros na sociedade ou então vivemos numa selva.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *