IMD discute os desafios da democracia multipartidária em Moçambique

Por Elísio João

Debruçando-se à volta do tema – democracia Multipartidária – ganhos e desafios na província de Nampula, numa mesa redonda promovida pelo Instituto para a Democracia Multipartidária – IMD, esta quarta feira, 30 de Setembro, António Muagerene sublinhou também que no país há problema de fortalecimento da Administração Pública.

Falando a propósito dos 30 anos da democracia Multipartidária em Moçambique, que constituiu pano de fundo da mesa redonda, Muagerene disse que apesar de tudo, o nosso país vive um pluralismo Religioso, económico, socio cultural e de informação, não obstante a sua deficiência.

Alguns participantes do encontro, representantes de partidos políticos e docentes universitários, reconheceram que durante os 30 anos de democracia multipartidária, houve ganhos para Moçambique, mas defendem que ainda há muito a ser feito para que o povo viva a verdadeira democracia.

Morchito Daudo Momade, representante do Partido Frelimo, considera que a democracia multipartidária em Moçambique deu passos gigantescos nos últimos trinta anos.

Para ele, os 30 anos de democracia multipartidária em Moçambique significam a génese da própria Frelimo, porque  essa formação politica já vem vivendo a democracia desde a sua fundação.

“Hoje estamos a celebrar os 30 anos de democracia multipartidária, significa celebrar aquilo que sempre foi a tendência do partido” – disse Morchito Momade, que na sua óptica a democracia nos moldes africanos não pode ser equiparada com a democracia dos países ocidentais, onde ela é vivida já vão seculos.

Aquele Frelimista entende que no nosso país a democracia pertence ao próprio povo moçambicano e que ninguém deve se autoproclamar dono dela.

Enquanto isso, Franzinho Assupete Soares, da Renamo, defende que o maior accionista da democracia em Moçambique é o partido no qual é militante.

Para a Renamo, no dizer de Franzinho Soares, a democracia multipartidária que se vive nos 30 anos no país, não espelha aquela para a qual a Renamo lutou durante 16 anos, pese embora tenha mudado alguma coisa na governação do país.

As situações anómalas que se registam nos processos eleitorais, são apontadas por Franzinho Soares, como estando a perigar a democracia multipartidária em Moçambique.

“A Renamo nunca estaria satisfeita com aquilo que está a acontecer no nosso país, principalmente nos processos eleitorais” – disse Soares acrescentando que como exemplo, quando um partido da oposição vence as eleições numa autarquia, os cofres são ʺesvaziadosʺ e os imóveis vandalizados. – “Não se pode falar de democracia num país onde essas coisas são recorrentes”.

Franzinho Soares chamou de animalescas as eleições moçambicanas.

A gestora de projectos, no Instituto Para a Democracia Multipartidária – IMD, Elisa Muianga, esclareceu que a mesa redonda havida esta quarta-feira, serviu para comemorar os 30 anos da democracia multipartidária, como um ganho do povo moçambicano, para além de reflectir sobre os principais desafios.

“Nós estamos a celebrar os 30 anos da nossa democracia, promovendo vários debates com temas diversificados que têm a ver com a democracia” – recordou Elisa Muinga, que destaca a Constituição da República, as Eleições e a participação do cidadão no processo democrático.

“A intenção do IMD é permitir que a reflexão sobre a comemoração dos 30 anos de democracia multipartidária seja inclusiva” – disse.

Um dos grandes ganhos da democracia multipartidária em Moçambique, segundo a gestora de projectos no IMD, é o pluralismo politico que permitiu a formação de vários partidos, a realização das eleições multipartidárias, que bem ou mal, estão a ter lugar no nosso país desde 1994.

“A Lei eleitoral é mexida de cinco em cinco anos o que significa que há qualquer coisa que ainda não está bem e que precisa de se aprimorar muito” – disse, acreditando ser um desafio de todos os cidadãos, os quais devem dar suas contribuições para que a nossa democracia seja de facto aquela que os moçambicanos esperam.

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