INVASÃO DE TERRAS EM MWALYAKHU

INVASÃO DE TERRAS EM MWALYAKHU

Por Elísio João

População abandona espaço invadido, depois de a polícia disparar gás lacrimogéneo e balas reais em Mwalyakhu, Posto Administrativo de Natikiri.

Mais de 300 casas na sua maioria de construção precária, erguidas a revelia numa parcela pertencente a uma empresa de venda de botijas de Gás, foram demolidas ontem terça-feira, na Unidade Comunal de Mwalyakhu, em Natikiri por uma força mista.

Os proprietários das casas demolidas reconhecem terem invadido o espaço para construção de suas habitações, por alegadamente ter sido abandonado e que servia para esconderijo de malfeitores, uma vez que estava a tornar-se uma mata.

Trata-se de um problema do conhecimento de quase todas as instituições de justiça em Nampula e que já foi reportado nesta estacão emissora, e que na altura, o caso estava a ser tratado em tribunal.

Ontem, uma força mista, constituída por Polícias de Intervenção rápida, de Trânsito e agentes de empresa de segurança privada, foi destacada para aquele quarteirão, onde para além de disparar gás lacrimogéneo, usou balas reais para obrigar a população invasora a abandonar o espaço.

Durante esses tiroteios duas pessoas contraíram ferimentos graves e foram evacuadas para o hospital.

Enquanto a polícia alimentava a população de gás lacrimogéneo, uma pá escavadora fazia a demolição das casas que muitas delas estavam a ser habitadas.

Falando a Rádio Encontro, alguns proprietários das casas demolidas, lamentaram dizendo que não houve informação antecipada sobre a acção da polícia, por isso foram apanhados desprevenidos.

“Não fomos informados sobre a destruição das nossas casas, por isso encontraram-nos com nossas coisas lá dentro. Esperávamos que fossem os homens da Polícia Camarária a vir nos retirar, mas apareceram os da FIR e começaram a disparar contra nós. Como resultado disso duas pessoas contraíram ferimentos e estão no hospital”.

Disseram os populares visivelmente desesperados, que julgam a acção da FIR ser muito agressiva, para uma situação que eles consideram ligeira.

Tentativas de falar com o encarregado da empresa de venda de botijas de gás, que se presume ser proprietária do espaço invadido, redundaram num fracasso, porque um membro de segurança impediu que a nossa equipa de reportagem o entrevistasse, alegando não ser momento oportuno por motivos de segurança.

Até ao momento da retirada da nossa reportagem, o local estava sob uma protecção rigorosa de várias forças de defesa e segurança, e algumas pessoas desesperadas, sentadas ao relento com os seus bens.

Ainda não se sabe se foi por orientação do tribunal que aquela acção aconteceu, mas a verdade é que a população que há mais de dois anos teimava ocupar, a revelia o espaço, recebeu da polícia, gás lacrimogéneo como prenda de Natal em plena época chuvosa.

As autoridades administrativas dos níveis local, distrital e até provincial, ainda não se pronunciaram sobre este caso que já vem fazendo correr muita tinta na cidade de Nampula.

Esse silêncio acontece também por parte do Conselho Autárquico de Nampula.

 

 

 

 

 

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