MUNICIPES DE NAMPULA REPUDIAM COBRANÇAS ILICITAS DE ALGUNS AGENTES DA PRM

MUNICIPES DE NAMPULA REPUDIAM COBRANÇAS ILICITAS DE ALGUNS AGENTES DA PRM

Por Elísio João

Os agentes da polícia são acusados de aproveitarem a situação de Covid-19 para extorquir dinheiro com alegação de as pessoas estarem a violar o decreto presidencial.

Em quase todos os bairros da cidade de Nampula ouvem-se lamentações e gritos de pedido de socorro, porque para além de as pessoas enfrentarem dificuldades para se auto-sustentarem devido a obrigatoriedade de ficarem em casa, vezes sem conta são cobrados valores monetários nas suas respectivas casas, por agentes da Policia que se fazem de fiscalizadores do cumprimento das medidas de prevenção da Covid-19.

Alguns munícipes que aceitaram falar aos nossos microfones, contaram na primeira pessoa os momentos difíceis que vivem e a intolerância da Policia, numa altura em que, segundo referem, os elementos da PRM deveriam sensibilizar as pessoas para cumprirem as medidas de prevenção e não as extorquir.

“Levaram meu filho de 8 anos que se encontrava a brincar na varanda da minha casa no bairro de Namutequiliua. Para devolverem, paguei 200 meticais” – disse uma mãe agastada que por sinal e solteira e desempregada.

Atija Abdul, de 26 anos de idade, disse que encontraram-lhe a comer bolo na sua casa e por não usar mascara, capturaram-lhe por 3 policias que para sua liberdade, ligou para o pai que transferiu 200 meticais.

“Para me libertarem, liguei para meu pai que me transferiu 200 meticais da Mpesa e paguei” – Acrescentou Atija Abdul.

“Uma senhora Policia cobrou-me 250 meticais para libertar meu filho que foi apanhado a brincar em casa” – disse outra mãe que questiona o porque o seu filho foi capturado dentro do quintal.

Dulce João da Rocha, moradora próximo da Rotunda do Aeroporto, explicou que os policias foram na sua casa quando eram 16 horas do dia 10 de Junho, onde algemaram um jovem que na altura estava a beber cerveja.

“Quando entraram no meu quintal, algemaram o único jovem que estava a beber e queriam algemar também o meu marido que esta doente. Com medo, perguntei quanto e que eu deveria pagar para isso não acontecer. Eles pediram 5.000 meticais. Fui buscar dentro, paguei e libertaram o jovem” – explicou Dulce visivelmente agastada.

Enquanto isso, João António, de 29 anos de idade, disse que foi obrigado a pagar a um grupo de polícias que O capturou no local onde vende carvão vegetal.

“Encontraram-me a falar ao telefone e porque baixava a mascara para alem da boca, pediram-me 500 meticais como condição para me libertarem” – disse.

Recorde-se que a Renamo em Nampula, na voz da respectiva Delegada Politica Provincial, Abiba Aba, denunciou na semana passada a existência de agentes da Lei e Ordem, que a seu belo prazer violam os direitos básicos da criança, ao recolhe-las sem o mínimo de cuidado para as esquadras e que para a sua liberdade, os pais eram lhes exigido valores em dinheiro que variam de 1000 a 3000 meticais.

“A Renamo repudia veementemente os actos praticados pela policia da Republica de Moçambique, em recolher crianças para as cadeias com alegacão de tratar-se de uma medida de prevenção e combate ao coronavírus, violando os direitos delas” – disse Abiba Aba, acrescentando que na sua opinião, o estado de emergência não pressupõe a alteração da constituição da Republica de Moçambique, em que os direitos fundamentais da criança não devem ser postos em causa.

Abiba Aba, questiona-se sobre como e que num regulamento feito pelo governo, aparece um outro feito pela Policia.

Esta acusação, viria a ser desmentida pelo porta voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, Zacarias Nacute, o qual batia o pé no chão dizendo que a policia nunca cobrou valores monetários para libertar as crianças que eram recolhidas das ruas.

“A Policia nunca cobrou nada para a libertação das Crianças que são apanhadas pela policia nas vias publicas”. Negou Nacute o qual recordou que a acção tem em vista sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de manter os menores em casa por se tratar de uma camada vulnerável ao Covid-19.

Passada uma semana, eis que as pessoas cansadas de alimentar a policia com os poucos recursos financeiros que dispõem, gritam aos 4 ventos pedindo socorro.

A delegada Politica Provincial da Renamo em Nampula exige que haja respeito pela pessoa humana e que todos lutemos para o fim da Covid-19, sem oportunismo e nem violência.

“Lamentamos o facto de a policia estar a negar a existência de membros dessa corporação que roubam dinheiro da população nos bairros desta cidade. O que essas  pessoas falam e aquilo que esta a acontecer um pouco por toda a cidade” – disse Abiba Aba para a qual, “essas atitudes deixa indignada a sua formação politica, porque, não há fumo sem fogo”.

Esta semana, a policia da Republica de Moçambique, através do seu porta-voz, voltou a pedir as pessoas que se sentirem injustiçadas a apresentarem as suas queixas junto das Unidades policiais, numa clara alusão de que ainda ninguém se queixou de ter sido burlado em nenhuma esquadra.

“Pedimos a quem se sentir lesado, a fazer denuncia em qualquer unidade policial, para seguirmos os tramites legais” – Implorou Zacarias Nacute.

Há necessidade de se rever a modalidade usada para sensibilizar as pessoas sobre o cumprimento das medidas de prevenção da Covid-19, sob o risco de se criar um ambiente de revolta, numa altura em que todos somos chamados a lutar contra a pandemia.

Na verdade, não há fumo sem fogo. Exigir dinheiro ao pacato cidadão não significa sensibiliza-lo para o cumprimento das medidas de prevenção da Covid-19.  Juntos e unidos, podemos vencer o novo Coronavírus.

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