NÃO ESTIVE ONDE TE ENGRAVIDARAM!

NKAKHANLE WARUPALIHIWANYU

Por Deolindo Paúa

As mulheres são consideradas como as mais sensíveis que os homens por se sensibilizarem rapidamente com o sofrimento dos outros. No lar, o tratamento dos filhos é deixado praticamente nas suas mãos porque seu senso de humanismo, sua ternura e afecto são os mais recomendáveis. É esta a imagem que temos à mente ao olhar para a nossa mãe, a nossa tia, nossa irmã, a nossa vizinha, a mulher em geral.

O que me preocupa nos nossos dias é notar que elas mesmas, as mulheres, esforçam-se em sentido contrário para tirar das nossas mentes essa imagem que temos sobre elas. Não raras vezes transmitem maus exemplos a sociedade. Por dinheiro expõem-se nuas nas ruas; por dinheiro oferecem-se aos endinheirados e superiores hierárquicos; por dinheiro destroem suas famílias construídas com sacrifício; por dinheiro até oferecem suas filhas em casamento ou as prostituem mesmo sendo menores de idade; por dinheiro são capazes de corromper os outros.

Fico aflito só de pensar que essa ganância por dinheiro atingiu o lado mais sagrado da mulher: o parto e a maternidade. Há dias, estando num chapa-100, ouvi uma mulher lamentar sobre como a tinham tratado durante o parto de seu último filho num hospital do Bairro da Muhala-Expansão. Para beneficiar de assistência no parto teve que oferecer à parteira em serviço 500Mt, depois que um pedido de auxílio sem dinheiro tivera como resposta “não estive onde te engravidaram!”.

Uma outra, sentada ao seu lado, confirmou a acção das parteiras, mas já no hospital do 25 de Setembro onde sua filha, para ter parto em condições adequadas e com assistência devida teve que subornar a parteira com 700Mt. Depois o motorista do chapa entrou na conversa e lamentou o facto de sua esposa ter sido atendida na maternidade do Hospital Central só depois que ele ofereceu 1200Mt às parteiras em serviço. Nos três episódios chamou-me atenção um facto: as parteiras deixaram as parturientes a se lamentarem de dores por muito tempo, com risco até de morrer, colocando seu apoio condicionado apenas ao dinheiro.

Este problema não se verifica apenas nas parteiras. Podemos ver a insensibilidade das mulheres nos registos e notariado ao privilegiarem seus amigos e familiares no atendimento em detrimento dos mais fracos e dos que obedecem a fila. Nos bancos, as mulheres são capazes de ignorar a sofrida fila e partir para a selecção de clientes a atender ou preferir falar longamente no seu luxuoso telemóvel diante de clientes desesperados e cansados nas filas. Nas escolas podemos encontrar professoras que tratam mal os alunos usando expressões opressoras.

E assim acontece em quase todas as instituições. Este problema não é apenas de mulheres, mas é preocupante quando elas que deviam servir de travão à corrupção e à negligência tomam a dianteira no processo. O humanismo das mulheres está, aos poucos, sendo consumido pela ambição, pelo desejo de riqueza fácil, mesmo à custa do sofrimento dos outros.

Quando as mulheres perdem o humanismo que sustentava a sociedade então é sinal de que nossos valores mais importantes foram perdidos e que estamos mais perto do “cada um por si”.

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