Não há dinheiro para matricula

Não há dinheiro para matricula

Por ELCÍRIO WAVILA

Há algumas organizações do governo e privadas que visam a promoção da educação para a erradicação do analfabetismo no país. Apesar desses esforços, alguns pais e encarregados de educação não querem aproveitar a oportunidade que as instituições cedem para que todas as crianças que tiverem uma idade escolar possam ter acesso a educação sem distinção da cor ou raça.

Como se sabe, desde Outubro passado aos nossos dias decorem as matriculas quase em todas escolas do nosso país para o presente ano lectivo. Para os pais e encarregados de educação que gostam ver os seus filhos a receberem educação escolar preocupam-se sem sono para ter uma vaga. Enquanto isso, outros preocupam-se em formar uma turma de analfabetos no seu quintal. Orgulham-se por ter filhos que catanam a língua.

Xaria é pai de 6 filhos e empregado de um estabelecimento comercial aqui na cidade de Nampula. Ele estudou até 7ª Classe daquele tempo em que os macacos falavam com anfíbios. Mas agora, não aceita tirar o dinheiro do seu bolso para apoiar os filhos nos seus estudos. O mais triste ainda é que nem consegue comprar comida para os filhos e esposa. Sua vida é álcool. Apenas!

Há dias atrás, o filho mais novo chamado Ayuba dos seus 14 anos quis pedir o apoio do seu pai para prosseguir com seus estudos: “pai, peço dinheiro para matricular na escola. Este ano vou fazer 10a classe”.

E o pai, encolerizado, respondeu ao filho: “olha, tu pensas que trabalho no banco? Achas que tenho fábrica de dinheiro ou apanho dinheiro para oferecer esses teus gajos lá na escola? Ahhhh!, quantos estudaram e não tiverem acesso de emprego que passam todo dia na rua a venderem tomate? Sai daqui!”

Ao escutar aquelas palavras venenosas, Ayuba desatou a chorar amargamente pela dor de ver seus amigos que lhe gozavam porque foram matriculados por seus encarregados. Tenho certeza que não é um caso isolado para Ayuba e seu pai apenas. Há muitas outras crianças abandonadas à sua sorte que lhes é negado um futuro promissor.

Quando presenciei aquele cenário, retirei-me do sítio, pesaroso e perguntava-me: ‘porque alguns pais são invejosos desse jeito para com os seus filhos?’ Será Ayuba o único escravo deste país forçado a crescer em corpo e infantil na alma da ciência?

Até quando teremos consciência da importância imprescindível da escolarização das crianças e também dos adultos?

 

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