NENHUM PAI É FEITICEIRO

Por Hute Chamussudine

Os pais são um canal indispensável para a nossa vinda ao mundo. Eles criam seus filhos por meio de imensas dificuldades; educam-nos, dão o seu melhor para que não falte nada aos mesmos, pelo menos até onde podem.

Há em circunstâncias do destino, mães solteiras e desempregadas e mesmo que empregadas sejam, aguentam chutes ventrais, são armazém de vontades estranhas, fluentes incolores de enjoos e insónias. Meses depois, uma voz fina em choros sem idioma, lhes é uma bênção, entre os braços encostados no peito, um gesto de amor e protecção.

Os pais, revogam todos seus projectos e planos de vida para dar lugar os planos e futuro dos seus filhos, entre dívidas e esforços acima de expectativas, garantem o pão na mesa e um caderno para a escola, uma total responsabilidade de quem ama e cuida.

É quase uma norma universal, e já hábito de todos os tempos: “um pai pobre, cuida de 5 filhos desde a infância até a fase adulta. Porém, 5 filhos com condições, não conseguem cuidar de um pai em fase terminal” Irónico não é? Pior ainda quando um filho não tem sucesso na vida profissional e seus projectos, a culpa é dos seus pais.

Colocam culpa do seu insucesso em pessoas que lhes deram a vida. Pais são acusados de mortes de seus filhos, deixados à sua sorte, abandonados e até mesmo enterrados vivos, mortos por aqueles a quem deram vida. Esse é o fim triste de uma jornada que iniciou com amor e protecção.

O que acontece é que quando somos pais, sentamos com nossos filhos e falamos mal de nossos próprios pais, avós e montamos escórias no cérebro imaturo das crianças. O mal é que quando essa criança se torna adulta, fará a mesma coisa. Dirá as mesmas coisas sobre nós, dirá aos nossos netos, que somos aquilo que outrora dissemos-lhe que nossos pais eram. É um evento cíclico que desune os jovens dos adultos.

Quando os pais se limitam em dar atenção, saúde e educação escolar, não falham, falham quando além disso, não os ensinam as coisas da vida, uma conversa quase sem tabus, sobre os pergaminhos da vida, do sucesso e do insucesso.

Diz-se em gírias populares que, não basta trabalhar a terra e lançar nela a semente. É necessário fazer acompanhamento apropriado para que cresça com vida e produza em abundância. E mais não disse.

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