O OUTRO LADO DA BANCA

O OUTRO LADO DA BANCA

Por Pedro Cusse

Em Moçambique a população ronda aos 27 milhões de habitantes, sendo que a maioria é jovem

A pobreza extrema, associada ao desemprego faz com que muitos jovens optem pela conta própria.

Aliás.Segundo uminquéritocontínuorealizado aos agregados familiares (INCAF), nos primeiros trimestres dos anos 2012 e 2013, cerca de 66,7% da população empregada, trabalha em regime de conta própria, seguida da condição de trabalhador familiar sem remuneração com 18,3%, ainda no mesmo estudo consta que 14,9% dos trabalhadores economicamente activos são assalariados.

Entretanto, no mês de Outubro do ano passado, o presidente da autarquia de Nampula Paulo Vahanle, declarou guerra contra os vendedores informais. O primeiro campo de batalha foi a Avenida do Trabalho, concretamente na Padaria SIPAL, seguido da padaria Nampula e mercado grossista do Waresta.

Nestes locais, a guerra sem quartel causou destruições, feridas no bolso e na alma.

Como consequência desta caça aos vendedores ambulantes, algumas ruas e avenidas da cidade de Nampula estão transitáveis, sem o risco de o cidadão confundir o repolho com uma bola, como era antes.

Uns abandonaram e trocaram as ruas com mercados convencionais e outros apenas procuraram uma nova praça para a sua actividade.

A nossa equipa de reportagem saiu a rua a fim de colher depoimentos de pessoas de várias sinopses socias.

A nossa primeira paragem foi unidade comunal palmeiras 2 no bairro de Namicopo, onde encontramos o jovem Amílcar de 29 anos de idade.

Amílcar exercia a sua actividade comercial nas imediações do centro de Saúde primeiro de Maio, depois de ter visto a sua banca destruída pelos agentes da Policia Camararia e da lei e ordem no mercado improvisado na padaria Nampula, onde vendia produtos de primeira necessidade.

As 9 Horas, do dia 18 de Novembro do ano passado, Amílcar viu-se envolvido numa situação constrangedora.

Recolheu às celas por alegadamente ter se envolvido em arruaça com alguns agentes da polícia municipal, como forma de reivindicar os bens levados pelas autoridades.

Mas porque que mesmo com os apelos insistentes que as autoridades municipais tem levado a cabo desde 2018, no sentido de os vendedores ambulantes abandonarem as ruas e becos da cidade que por vezes não oferecem condições básicas para o exercício deste tipo de actividades, vocês teimam? [… Os mercados convencionais não nos oferecem muito em termo de lucros, pois, as pessoas que frequentam aqueles mercados vem apenas para comprar papahi de 10mt e tomate de 5mt, o que é diferente nas ruas onde um automobilista pode comprar tomate de 50 de uma só vez …] disse Amílcar para depois acrescentar que, [… caso eu encontre dinheiro, desta vez vou procurar um mercado para vender, mas, se os mercados continuarem com esta escassez de clientes, vou continuar nas ruas ou vou, começar a fazer comercio interdistrital…]

Para melhor reflectirmos a respeito do assunto, fomos ao encontro de alguns académicos.

O cientista político Arsénio Cuco e o professor doutor em filosofia Felizardo Pedro, vêm com bons olhos a retirada dos vendedores informais das ruas, porque assim fica facilitada a mobilidade de pessoas e viaturas.

Os académicos falaram da suposta falta de estratégia por parte das autoridades municipais, no sentido decolocar definitivamente os vendedores informais nos mercados convencionais.

Estes foram unânimes em afirmar, que os vendedores ambulantes são resistentes em sair das ruas da cidade de Nampula porque não há boa política de gestão de alguns passeios. [… a uma serie de elementos que próprio conselho municipal deveria ter pensado seriamente antes de correr para fazer a destruição, para onde aquelas pessoas vão depois de se destruir os mercados?…] Indagou Cuco

Nampula tem problemas tradicionais com uma população ainda sem condições económicas exigidas mundialmente, que procura de sol a sol o sustento de suas famílias, dai, este braço de ferro entre a edilidade e os comerciantes ambulantes.

Os nossos entrevistados falam dos factores, Politico, Economico e Demográfico, como sendo os que contribuem para a situação na qual muitos vivem. […o grande problema que eu identifico e que nós temos uma concentração de actividades e da economia num certo ponto, ou seja, quem vive em Namicopo não vai fazer compras no seu bairro porque afinal de conta as actividades burocráticas todas estão concentradas aqui na cidade então não faz muito sentido que ela vá comprar o tomate em Namicopo enquanto ela trabalha…] disse Felizardo Pedro

Doutores quais são os efeitos a curto longo-prazo advindos desta retirada compulsiva dos ambulantes das ruas? [… a situação de demência, os roubos são podemos e isto pode vir criar greves …]

Há um ditado popular segundo o qual o macua tem a tradição de comprar tudo na rua, porque lá, é mais acessível para a sola e os bolsos.

Os académicos acreditam que neste caso em particular, não se trata de um problema tradicional, mas sim, falta de incentivos, descongestionamento das actividades e a desconstrução de hábitos.

Nos tempos que passam, é quase impossível andar pelas ruas da cidade de Nampula, e não ver crianças com baldes na cabeça contendo todo ou algum tipo de alimento pronto ao consumo.

Algumas vezes esses mesmos baldes estão mal higienizados, perigando desta feita,a saúde daqueles que compram os tais alimentos, para matar a sua fome ou mesmo sede.

Quais são as possíveis soluções? [… se temos um centro comercial em Namicopo, primeiro e pensar na localização, na abrangência ena distancia que separa entre os utentes e o centro, segundo, e a possibilidade de buscar indivíduos com uma capacidade de venda maior, que instalem lojas, postos de saúde ou venda de energia, tem que se pensar qual foi a estratégia usada para que as pessoas olhassem o mercado central como sendo o lugar onde podiam fazer a sua compra, e necessários tornar os mercados muito atractivos…] eu acho qeu isso pode ajudar

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