Crónica do Dia – OPAHH ESTRAGARAM A NOSSA BOLADA!

No passado a escola foi um local de aprendizagem. Era onde se aprendia a ciência e os valores sociais. Estudar significava assimilar regras de boa conduta. Por isso mesmo, os professores, como mentores, os mestres da vida e da ciência eram exemplo de integridade, de moral, espelho da sociedade. Não sei ao certo onde as coisas mudaram, a verdade é que temos hoje escolas e professores de boladas. O ensino e a aprendizagem não seguem mais a exigência dos valores e da solidez do conhecimento. O ensino e aprendizagem são avaliados por critérios estranhos a assimilação da matéria. Assim, de um lado, está o governo que preocupado em atingir metas estabelecidas para impressionar os doadores obriga as escolas a aumentar o número de alunos que passam de classe; do outro lado, estão os directores das escolas que movidos pelo desejo de manterem seus cargos, sentem a obrigação de obedecer ao governo e obrigam os professores a passarem os alunos mesmo sem a aprendizagem provada, para atingir metas satisfatórias e conquistarem elogios; o terceiro lado, o mais preocupante, é dos professores. Para supostamente preencherem suas deficiências salariais e garantir a resposta a todas as dificuldades da vida, alguns deles recorrem a chantagem e a corrupção, vendendo passagens de classe aos alunos.

Neste ano lectivo, para evitar aglomerações em escolas, o ministério decidiu a passagem automática de todos os alunos de classes sem exames. E, possivelmente, incentiva o tratamento especial aos que vão aos exames para que também passem, tudo para atingir metas. Com alunos já declarados automaticamente aprovados, já não existe espaço para aqueles professores fazerem suas chantagens aos alunos e terem dinheiro em troca de sua passagem. Foi por isso que há dias um professor, reagindo a isso disse: “estragaram nossa bolada!”. Para quem pensa que o professor estava falando de forma leviana está enganado. Os esquemas de corrupção nas escolas atingiram níveis alarmantes. Pela passagem de alunos alguns professores fazem receita, compram carros e até mesmo são capazes de sustentar a construção de suas casas. A idoneidade do professor foi trocada pelo comércio das notas e agora, sobrevive-se não dos salários míseros, mas também dos “casos”. Chamam “caso” à responsabilidade que um professor assumiu de, em troca de valores monetários, influenciar a aprovação de um ou mais alunos.

Hoje não importa mais o conhecimento. A educação é um negócio em que o aluno precisa de um certificado e o professor precisa de garantir uma sobrevivência que supostamente não consegue só com o salário. Entretanto, podemos aprender com as ilações desta pandemia. Graças a ela os alunos vão passar sem pagar aos professores, embora não seja também por conhecimento. Aqueles professores habituados a desonestidade, vão aprender a ficar sem os “casos”, a sobreviverem do salário. Só espero que isso nos leve de volta a integridade do nosso processo de ensino e aprendizagem.

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