Os nossos hospedes estão a fechar os passeios da cidade de Nampula

Por Elísio João

Na cidade de Nampula, principalmente na zona de cimento, virou moda a demolição de moradias, para no seu lugar erguer erguer lojas e ou armazéns.
Já perdi conta das casas que tinham uma arquitetura original, e serviam de moradias que atualmente foram transformadas em lojas, porque os seus proprietários, as venderam para os nossos hóspedes, os estrangeiros.
Não tenho nada contra, porque ninguém é proibido fazer o que quiser com a sua propriedade. O que me preocupa é como esses compradores das casas, na zona de cimento, tratam os espaços.
Vejo que depois de destruírem a infraestrutura original, constroem edifício multi funcional e fecham o passeio que servia para o peão.
Na Rua Cidade de Moçambique, aquela que parte da Avenida 25 de setembro, ali no SERNIC e termina na Rua dos Continuadores, no antigo Lar dos Estudantes da 3 de Fevereiro, existe um exemplo do que estou a dizer.
Onde termina essa rua, que é de sentido único, está uma padaria. Antes da Padaria existia uma moradia onde vivia um casal de origem portuguesa. Na altura podia se ver plantas de Uva lá dentro e a cobertura era de lusaliti.
Essa moradia foi vendida e o comprador construiu um edifício multi funcional e fez uma vedação de ferros no passeio, condicionando a movimentação de pessoas. Tristemente, os fiscais estão a fazer vista grossa desta situação.
Se nesta cidade, os vendedores ambulantes não podem obstruir os passeios, porque é que um estrangeiro pode gradear um passeio?
Este é apenas um exemplo, das várias situações do género que se podem assistir nesta cidade, onde não se respeita a beleza arquitetónica original.
Nos locais onde antigamente constituíam cartão de visita, agora se pode encontrar monstros cujas paredes são de vidro, porque os proprietários sabem que não podem fazer um edifício que dure muito tempo, e deixar com os moçambicanos.
O mesmo cenário está a pegar moda nos bairros. Os nossos hóspedes quando compram as nossas casas, erguem muros que obstruem as vias de acesso.
Como consequência disso, naquelas ruas onde passava a ambulância, a viatura dos bombeiros, ou usávamos para transportar uma urna para a última moradia, já não existem ali nos bairros.
Os secretários já não têm função. Se têm olham para os seus umbigos. Já que cada bairro tem dois secretários, e cada um quer encher seu bolso a todo o custo. Quem paga por isso somos nós, que contribuímos com os nossos impostos na expectativa de nos fornecerem bons serviços.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *