Crónica do Dia – OS OPORTUNISTAS DA GAIOLA? 

OS OPORTUNISTAS DA GAIOLA? Asivàvaru amukèloni?

Por Miguel Tchau

Moçambique cumpre ainda a vigência do Estado de emergência por causa do Coronavírus. Decorrente da restrição de algumas regras costumeiras, há inimigos obscuros ostentando alguma patência que se aproveitam desta doença para lograr benefícios pessoais e/ou de altos chefes da gaiola.

Na manhã da última quinta-feira, sete “oportunistas da gaiola” escalaram ao pequeno mercado de Muakowanvela para exigir cumprimento das medidas de prevenção e, porque a ocasião faz o ladrão, aproveitaram-se disso para extorquir pacatos cidadãos, mesmo aqueles que estavam protegidos com máscaras. Naquela hora uma senhora quis negociar com aqueles famintos para merecer de amnistia. Mas volvida uma hora depois de negociações frenéticas com aquele grupo, a sua soltura foi mediante pagamento de 200 meticais em folha. Afinal, o seu pecado mortal foi por ter pendurado a máscara sem tapar o nariz.

Na ocasião, três mulheres inclusive uma criança de colo, foram recolhidas para uma conversa a sós. A linguagem usada durante a caminhada era: onde estão os 200 meticais? Entretanto, aquela acção agitou a maioria, uma vez que, nunca se tinha visto um elemento da corporação a circular sem a respectiva farda e exigindo valores monetários para soltura de um cidadão inocente. Acredito que, o mesmo disco é assistido noutros cantos desta província, por sinal a mais populosa do país.

Eu não sabia que a sanção de quem não tapa o nariz converte-se em 7 jantares de uma família de baixa renda. Mas será o mesmo povo que vão pedir votos nos próximos pleitos eleitorais?

Oh, são poliangues! Exclamou um cidadão cujo semblante denunciava uma admiração. A resposta não tardou. Veio de um outro cidadão que suspirou nas axilas: “Amigo, não sabe que quando cai a chuva, toda a minhoca sobressai?”. Então porque não actuam assim para combater o crime?

É que, os poliangues circulando a semelhança de civis, os roubos na via pública, assaltos a mão armada, esquadrões da morte e sequestros não teriam espaço no solo pátrio. Quando terminar a ira do coronavírus, queremos ver poliangues civis na rua travando a batalha de unhas e dentes com os gatunos, como agora com a população. Fora disso, sempre teremos oportunistas da gaiola. E mais não disse!

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