OS PINCEIS DE DONA MWANAXA

Por Kant de Voronha

No mundo em que vivemos há diversidade de profissões. Portanto, existem vários tipos de trabalhos que são realizados, igualmente, por várias pessoas. Há os médicos, os professores, os polícias, os pedreiros, os serralheiros, os carpinteiros, os camponeses, os juízes, os dirigentes, os motoristas, os investigadores, os preguiçosos, etc.

Cada um deles realiza o seu trabalho consoante as potencialidades e talentos que possui na área. Cada um tem os instrumentos que lhe são importantes para realizar o seu trabalho e sair com perfeição. Geralmente, esses trabalhos são aprendidos nalguma escola ou ainda nalgum lugar de formação profissional. Por isso há diferença entre os que aprenderam bem e os outros que fazem o mesmo trabalho por arranjo de imitação ou sobrevivência.

De facto, nos últimos tempos por falta de emprego e a avidez pelo dinheiro leva muitas pessoas a fazer qualquer trabalho e de qualquer maneira. Independentemente se é ou não fruto de sua formação. Consequentemente, encontramos trabalhos bem deformados e sem qualidade, realizados por pessoas que procuram sobreviver, para não morrer de fome. Os exemplos disso não são raros. Repare ao seu redor e vai-se dar conta disso, sem fazer muito esforço.

Ora, um dos trabalhos bem concorridos na atualidade é o da pintura. Muita gente quer pintar. Pintam-se os carros, as paredes de casas ou quintais, pintam-se as coisas, o cabelo, o corpo, as unhas, etc.

Dona Mwanaxa é natural de Angoche. Estudou até 3ª classe terminada com sucesso em 2007. A corrida desenfreada pela beleza, juntamente com muitas suas colegas, obrigou Mwanaxa a apostar na área de pintura. Comprou vários pincéis e tintas para concretizar o seu sonho de ser uma branca ou mulata ou ainda clara. Ela sabe que para atingir esse nível vai precisar de muito matope para endireitar as lombas do seu corpo, alinhavar o reboque das ondulações faciais e, enfim, sair a obra perfeita que ela deseja. Infelizmente, apesar de ter todo equipamento de trabalho completo, Mwanaxa não sabe pintar com qualidade. O pior de tudo, não quer aprender e nem pagar as outras para lhe ajudar a pintar o seu corpo. Ela acumula betume e tinta de qualquer maneira. O importante, para ela é pintar-se.

Porém, com o aquecimento de temperatura que vem actuando nos últimos dias, toda pintura mal feita cai com o calor, desfaz-se sem demora e a parede do corpo começa a desfigurar-se de feiura. Foi dessa mesma forma como o sapo permaneceu com borbulhas até hoje. Cuidado, “quem não sabe, pergunta”. E mais não disse!

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