QUEM ESTUDOU, JÁ ESTUDOU!

Por Deolindo Paúa

Na gíria popular esta expressão “quem estudou já estudou” é usada para referir à incapacidade do novo Sistema de educação de oferecer aos alunos um conhecimento confiável e sólido como supostamente acontecia no passado. Entende-se que o sistema de educação actual é fraco e não oferece às crianças as competências exigíveis para o contexto. Analogamente, diz-se também, em relação à crise de valores sociais que nos nossos dias torna impossível contrair e manter por longo tempo o casamento, “quem casou, já casou”!

Seria bom se essa expressão fosse apenas resultado de diversão, sem nenhuma realidade adjacente. Mas infelizmente, desde que a educação se tornou numa bolada, tudo mudou. A educação é uma bolada para o governo angariar fundos de parceiros; uma bolada para os professores sustentarem seus vícios e seus bolsos nunca cheios; uma bolada para os encarregados adquirirem certificados rápidos e oferecerem empregos fáceis aos seus filhos, um emprego que depois é exercido de forma incompetente; uma bolada para os alunos sustentarem sua preguiça no domínio da técnica e da ciência.

A retoma das aulas em tempo de pandemia do coronavírus agravou a situação. Com a insuficiência de salas de aulas e de professores no sistema público, hoje, as crianças estudam em dias alternados. Na maioria das escolas, cada turma tem direito a dois dias de aulas por semana, sendo que o resto de aulas se supõe que o aluno pode assimilar de forma independente em casa. Esta pode ser a solução do momento, mas não podemos negar que os alunos se tornarão mais ignorantes do que já são.

No nosso contexto, é impossível um ensino semi-presencial para uma criança que não tem as bases do alfabeto e da contagem. No final, tudo isto é resultado de insuficiência de salas de aulas e de professores nas Escolas. Seria bom que esta crise sanitária nos deixasse lições importantes.

Por exemplo, a lição de que passamos os últimos quase 45 anos investindo somas altas em regalias e salários milionários para políticos improdutivos do que construindo escolas; a lição de que nossos arranjos administrativos de última hora denunciam nossa máfia e nossa incompetência para construir e gerir uma educação sólida e patriótica.

É verdade que quem estudou já estudou, mas ainda temos tempo e recursos para mudar, para oferecer às nossas crianças a educação que merecem e que a nação solicita para o contexto. Só falta-nos desenvolver a consciência patriótica de que a educação é nossa e o futuro que preparamos de forma frágil para as nossas crianças também é nosso. Se compreendermos isso começaremos a construir mais escolas do que palácios de políticos, contratar mais professores do que aumentar o salário e regalias desnecessárias de políticos incompetentes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *