CRÓNICA DO DIA

QUEM MUITO SE ARRISCA TORNA-SE PETISCO

Por Giovanni Muacua

O mal-entendido que muitas pessoas têm do verdadeiro sentidodas festas leva-as a endividamentos e gastos desnecessários, sempre que chegamos a quadra festiva. Sobretudo nesta época em que reina a máxima segundo a qual “quem não se arrisca não petisca”.Esquecem-se de que quem muito se arrisca torna-se petisco.

Passam poucos dias apenas depois que celebramos a quadra festiva. Durante este período, pessoas há que, pensando que o Natal e a passagem do ano dependem da comida, bebidas e sexo, festejaram em clima de vadiagem, bebedeira e rouparia. Admira-me que mesmo pobres preferiram contrair dívidas em grandes somas de dinheiro, em bebidas alcoólicas e géneros alimentícios que nem sabem quando irão pagar.

Na minha inocente infância, aprendi que 25 de Dezembro é dia de nascimento do menino Jesus e festa da família, porque, na verdade, sendo Filho de Deus, nasceu duma família de Maria e José. Aprendi ainda que transitar de um ano para outro significa passar de condições menos humanas às condições mais humanas. Razão pela qual é festa de acção de graças pelo Novo Ano.

Foi vergonhoso que no dia 25, muitas pessoas, longe de irem à Igreja para acolher o menino Jesus, acorreram às ruas e barracas para acolher bebedeiras e doenças sexualmente transmissíveis. Na passagem do ano, longe de alguns passarem de condições menos humanas para as condições mais humanas, viraram tudo de cabeça para baixo. Por causa do estilo de vida por que primaram, passaram de ricos para pobres, de pobres para miseráveis, de saudáveis para seropositivos ou gonorreicos. Será essa a melhor maneira de festejar o Ano Novo?

Endividou-se? Vadiou? Gastou seu dinheiro? Esbanjou sua comida? Estamos no mês de Janeiro a caminho de Fevereiro. Meses tidos como famosos na educação de pessoas na fome e nas doenças. Os excessos de bebedeira, a vadiagem, o gasto irracional do dinheiro, por que alguns optaram pagarão com o próprio corpo. Aliás, “quando a cabeça não regula o corpo é que paga”. As festas passaram.Agorachegou a hora em que alguns vão começar a chorar na língua.

Por fome ou por doenças contraídas: “olyo-lyo mayakooo (3X)”. É preciso parar e reflectir. Porque de nada adianta arriscar-se para, depois, se tornar petisco de fome, de miséria e de doenças sexualmente transmissíveis.

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