Crónica do Dia – SOMOS UMA GERAÇÃO DE COVARDES?

SOMOS UMA GERAÇÃO DE COVARDES?

Por Bento Paúa,

Há dias li num jornal a entrevista de um académico moçambicano na qual ele dizia que Moçambique não vai mudar com esta geração. Fiquei perplexo! Assustado! Não pelo que ele dizia, mas por dever esperar que esta geração passe para que tudo melhore. É que as coisas não estão nada boas! Daí me pus a pensar nas razões que terão levado aquele académico a chegar a aquela assustadora conclusão. Os factos do dia-a-dia mostram que ele infelizmente tem razão.

Somos uma geração de jovens ao mesmo tempo covardes e ambiciosos. Desde crianças queremos e nos ensinam a querer coisas fáceis, sem sacrifícios. Na escola queremos nota fácil, pela cábula ou pelo suborno aos professores. Na faculdade queremos diploma fácil, sem encarar o desafio da pesquisa e, por isso, até compramos trabalhos; na sociedade queremos vida fácil, mulheres fáceis, dinheiro fácil, riqueza fácil e uma honra fácil. Por isso nos tornamos gente barata, que se contenta com os fins próprios sem se importar com os meios.

Vivemos alheios ao que realmente é importante. Gastamos nossos recursos e energias em coisas fúteis, por isso a nossa melhor forma de viver é connosco e para nós mesmos, sem os outros. Não fomos feitos nem formados para cumprir, mas para mandar, por isso exigimos mais direitos e resistimos aos deveres. Estamos dispostos a casar, mas apenas com a pessoa que nos for conveniente, que obedeça aos nossos apetites, que não nos questione nem nos imponha fardos. Por isso, mais do que construir uma sociedade, nos ocupamos a sabota-la quando são criticadas nossas posturas imorais. Ninguém se preocupa em se sacrificar pelo bem-estar da Sociedade. Estamos sempre prontos para justificar nossas irresponsabilidades, por isso também nossa postura neste tempo de prevenção da Covid-19 não é desejável. De facto, se libertar Moçambique estivesse na responsabilidade da nossa geração, talvez nunca estaríamos independentes.

Somos uma geração dos espertos, dos que sabem da ciência e tudo, mas nada da moral, da sociabilidade e da política, por isso vivemos fugindo das nossas responsabilidades morais, sociais e políticas. Somos uma geração de conveniências. Cada um defende e vive do que lhe convém, por isso, uns se ocupam a criticar o governo, muitas vezes sem provas, outros o defendem também sem saberem o que dizem, cada um com o que lhe convém.

Somos uma geração de tímidos. Sabemos todos que em democracia é o povo que controla o governo, mas o medo nos fez chegar ao contrário: somos controlados pelo governo. Reclamar sobre algo devia ser norma, mas nossas conveniências cobardes nos cegam. Não reclamamos e não deixamos reclamar. Somos capazes de combater quem reclama, apenas para defender o que nos convém. A nossa geração é de covardes, indivíduos que vêem importância apenas em si mesmos mais do que dos outros, por isso incapazes de agir e de se sacrificar em benefício dos outros. Precisa de mudanças, de reparações porque a mudança deste país não pode ficar para a próxima geração…

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